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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O lixo nosso de cada dia

Semanas atrás falei da embalagem do meu creme que tinha um design sofrível, agora resolvi pesquisar sobre a política de resíduos sólidos pós consumo das principais marcas de cosméticos que eu conheço, que é o que nos sobra depois que o produto acaba. Os resíduos sólidos da cadeia produtiva podem até ser responsabilidade minha também como consumidora, mas pouco posso interferir nela. Resolvi ver o que as empresas falam de residuos sólidos sem eu precisar ler o relatório de sustentabilidade.
residuos
Fonte: https://flic.kr/p/e4PYUh
Nívea
A Nívea foi a primeira “vítima” por 2 motivos: 1- falei dela no post sobre o design ruim da embalagem e 2- apareceu um post patrocinado deles na TL do meu twitter, se eles estão pagando pra fazer propaganda em rede social, vamos ver se esse canal realmente funciona para conversar com o consumidor (mais um teste além do ambiental). Ai perguntei pelo twitter sobre a política de resíduos sólidos da Nivea e recebi esse link como resposta: http://www.nivea.com.br/Sobre-nos/beiersdorf/Responsabilidade-Ambiental
Bom, sobre o destino das embalagens pós consumo só li blablabla, nada concreto que me convence da real preocupação deles, um “apoiamos o projeto tal que se preocupa com esse assunto” e só. Ai perguntei no twitter novamente se eles sabiam qual a porcentagem de embalagem são recicladas, estou no aguardo da resposta.
Unilever
Ai resolvi pesquisar outras… Joguei no Google o nome da empresa e as palavras resíduos sólidos, depois de uns cliques no site deles achei esse link no site da Unilever: http://www.unilever.com.br/sustainable-living-2014/waste-and-packaging/
Achei mais interessante pois eles têm metas estabelecidas sobre reciclar embalagens: “aumentar as taxas de reciclagem e recuperação, em média, em 5% até 2015 e em 15% até 2020 nos nossos 14 principais países” e apresentaram o seguinte dado: “Aumento de 7% nas taxas de reciclagem e recuperação em 2013, superior ao Índice de Reciclagem e Recuperação médio de 2010, registrado nos nossos 14 principais países.” Legal, mas  o quanto desse 7% é no Brasil? E vamos combinar que 7% numa operação em 14 países é quase pífio.
P&G
Com a busca no Google P&G e residuos sólidos (ou qualquer coisa parecida com isso) cheguei nesse link: http://www.pg.com/pt_BR/sustentabilidade/sustentabilidade_ambiental/index.shtml
O plano é bastante audacioso “Nossa Visão, anunciada em 2010, inclui: (…) Usar 100% de materiais renováveis ​​ou reciclados em todos os produtos e embalagens. Depositar zero de consumo e resíduos de fabricação em aterros sanitários.” Mas não falam quando pretendem atingir a meta, ah, mas é a visão, não é uma meta, pode ser que nunca atinjam seja só um alvo a se atingir… Ainda tem um “saiba mais sobre a nossa visão de longo prazo”, mas não tem link nenhum redirecionando pra lá. Também não ficou claro pra mim se no consumo e resíduos de fabricação inclui embalagens pós consumo.
Descobri por acaso que eles tem um projeto com uma empresa chamada Wise Waste que criaram a partir de embalagens recicladas um display para um dos produtos deles em supermercados. Aliás o trabalho da Wise Waste é bem interessante, saiba mais aqui. Mas no site da empresa mesmo só tem aquelas metas megalomaníacas sem nada muito prático.
Natura
Mandei um twitt e não recebi resposta 2 dias depois, procurando no google achei vários links para os relatórios anuais da empresa 2009 (acho q seja pois só tinha dados até 2008), 2012, 2013. Não é o que que esperava achar, principalmente da Natura. As informações são vagas e sem nenhuma meta clara, no relatório de 2014 fala que “A Natura está elaborando um plano de logística reversa, que tem como principal objetivo estruturar um modelo de gestão capaz de transformar resíduos em oportunidades de novos negócios. Este plano tem previsão de lançamento ainda no ano de 2014.” Eu esperava mais da Natura, muito mais…
Avon
Mandei um twitt e não recebi resposta 2 dias depois.
Procurando no Google não achei NADA relevante. No site da empresa tem uma seção de responsabilidade social, nada sobre meio ambeinte. Falam de teste em animais, mas absolutamente NADA do ponto de vista ambiental e resíduos sólidos… Decepção monstra.
Conclusões
Escolhi essas empresas pois consumo produtos delas e como são empresas que fazem parte do business as usual esperava números sobre o assunto, só 1 me apresentou números concretos sobre a preocupação com a geração de resíduos e posterior descarte, as outras tratam o assunto de forma superficial, pelo menos aos olhos do consumidor leigo que resolve descobrir por si só o que as empresas fazem/pensam sobre o assunto. Uma delas até ignora o assunto. Ou simplesmente resolveu não contar pra ninguém o que faz sobre o assunto. Se alguma empresa dessas quiser entrar em contato comigo para esclarecer melhor suas preocupações sobre os temas resíduos sólidos pós consumo, logística reversa, etc estou super aberta para ouvir e saber mais, o importante mesmo é tornar pública suas práticas, o consumidor agradece, isso chama-se transparência. #ficaadica
A princípio pensei em ligar nos atendimentos ao consumidor de cada uma delas para perguntar sobre o assunto, mas esse processo é tão chato que eu desisti, mas talvez seja mais eficaz que esse post, mas se você quiser fazer isso segue o número dos telefones de cada uma das empresas, acho que pode surtir mais efeito e ainda dá pra testar o quanto elas dão de importância para a preocupação do consumidor.
Nivea – 0800-77-64-832
Unilever – 0800-707-7512
P&G – 0800 701 5515
Natura – 0800.115.566
Avon – 0800 7082866
Se alguém conhecer alguma empresa de bens de consumo não duráveis que nasceu pensando no ciclo completo de vida de seus produtos me avise, pois eu até hoje não vi nenhuma.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Catadores de Materiais Recicláveis




De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico realizada pelo IBGE em 2000, coleta-se no Brasil diariamente 125,281 mil toneladas de resíduos domiciliares, e 52,8% dos municípios Brasileiros dispõem seus resíduos em lixões.

Hoje estima-se que 1 em cada 1000 brasileiros é catador.
E 3 em cada 10 catadores gostariam de continuar na cadeia produtiva da reciclagem mesmo que tivessem uma alternativa. Estes têm orgulho de ser Catador.

Há Catadores de todo tipo.
  • Trecheiros: que vivem no trecho entre uma cidade e outra, catam lata pra comprar comida.
  • Catadores do lixão: catam diuturnamente, fazem seu horário, catam há muito tempo ou só quando estão sem serviço de obra, pintura etc.
  • Catadores individuais: catam por si, preferem trabalhar independentes, puxam carrinhos muitas vezes emprestados pelo comprador que é o sucateiro ou deposista.
  • Catadores organizados: em grupos autogestionários onde todos são dono do empreendimento, legalizados ou em fase de legalização como cooperativas, associações, ONGs ou OSCIPs.

O Catador é um sujeito que, historicamente, tira do lixo o seu sustento. Seja através da prática da coleta seletiva junto a alguns parceiros que doam o seu lixo ou, melhor ainda, seus recicláveis selecionados na fonte; seja caçando recicláveis pelas ruas e lixões, sacando os recicláveis do lixo misturado que o gerador não teve a decência de separar e colocou no mesmo saco o que pode e o que não pode ser reaproveitado.
Com esse “trabalho” a companhia de limpeza urbana deixa de pagar inúmeros kilos que seriam coletados e dispostos em aterro ou lixão. Na pior das hipóteses é uma economia. É um serviço a população já que esses materiais coletados pelos catadores vão evitar o consumo de matéria prima virgem – recursos naturais esgotáveis – além da economia com coleta e disposição final.

Dentre os Catadores organizados ou em organização existem os

  • Grupos em organização: com pouca ou nenhuma infra-estrutura, muita necessidade de apoio, e vontade de trabalhar em grupo e se fortalecerem.
  • Catadores organizados autogestionários: grupos que funcionam como cooperativas de fato onde decisões são tomadas de modo democrático, as vendas e os resultados são de domínio de todos graças a transparência das informações que muitas vezes são afixadas na parede - o valor da venda, dos descontos, as atas das reuniões e etc. Não há uma liderança única da qual dependam todas as decisões e todos os associados representam o empreendimento como dono.
  • Redes de cooperativas autogestionárias: A idéia de rede é uma forma de fortalecer os grupos na busca de quantidade, qualidade e freqüência que são algumas das imposições do mercado da reciclagem. Em rede os grupos podem vender por melhores preços por terem juntos maiores quantidades e aqueles que não tem prensa poderem enfardar o material. Em rede os grupos também podem se organizar para otimizar a coleta e realizarem inclusive coleta de outros materiais como óleo de cozinha, alimentos entre outros.

E há também as

  • Coopergatos: Grupos não autogestionários, que tem um dono, onde um manda e todos obedecem e funciona como uma empresa privada só que sem os benefícios sociais que uma empresa privada teria que dar.
  • Cooperativas de Sucateiros: Alguns sucateiros que, nem sempre, mas freqüentemente tem com catadores relações pra lá de exploratórias, percebendo vantagens junto a políticas públicas se regularizam legalmente como cooperativas mas funcionam como empresa privada, sob a fachada do cooperativismo. Infelizmente esse padrão é bastante freqüente.
  • Cooperativas de apoiadores: Grupos de catadores organizados por pessoas que não tem histórico na catação e se auto-declaram catadores (mas tem perfil de apoiador) para exercer uma liderança sem nenhum compromisso com o processo emancipatório dos catadores. Apoiadores só deveriam fazer parte de uma cooperativa de catadores de materiais recicláveis se fosse no conselho consultivo, sem direito a voto e sem direito a renda.

É imperativo que o apoio aos catadores seja compromissado com o protagonismo deles e a construção dos processos emancipatórios desta categoria.
Catadores são vítimas de preconceito por parte da sociedade e constantemente são associados ao problema do lixo podendo ser associados as soluções.

São atores históricos da gestão dos resíduos nas cidades e da cadeia produtiva da reciclagem e merecem políticas públicas que fortaleçam seu perfil empreendedor e ecológico.

O estilo do apoio no Brasil é o do amparo, da tutela simbólica, que vê os atores históricos como incapazes, estilo cesta básica e assistencialismo. Será bom entender o que é apoio dentro de uma premissa emancipatória.


De acordo com o dicionário Aurélio temos 

a.poi.o
s. m. 1. Tudo que serve para amparar, firmar, segurar, sustentar. 2. Mec. e Constr. Base, assento, sapata. 3. Amparo, socorro. 4. Argumento, autoridade, prova, ou qualquer coisa que se autorize, ou se prove. 5. Aprovação, assentimento.

E temos ainda
tu.te.la
s. f. 1. Dir. Encargo legal para proteger uma pessoa ou os bens de um menor ou de um interdito; tutoria. 2. Amparo, proteção. 3. Fam. Sujeição vexatória; dependência.

E ainda
e.man.ci.par
v. 1. Tr. dir. Eximir do poder paternal ou de tutela. 2. Tr. dir. Tornar independente. 3. Pron. Livrar-se do poder paternal ou de tutela. 4. Pron. Tornar-se livre.

 
Para saber o contato de cooperativas de Catadores do Rio de Janeiro clique aqui
 
Para saber o contato de cooperativas de Catadores de todo o Brasil entre em contato com o Movimento Nacional dos Catadores www.MovimentodosCatadores.org.br pelo telefone (11)3399-3475; Ou pelo site www.rotadareciclagem.com.br
 

domingo, 9 de novembro de 2014

Artista transforma lixo em luxo em Niterói

O Centro Cultural Abrigo de Bondes, em Niterói, recebe a partir do dia 9 de outubro a exposição "O Luxo do Lixo", de Cacau Salabert. A mostra fica em cartaz até 29 de novembro, com entrada franca.

Divulgação/ TMN assessoria

Depois de expor três vezes na França, o artista apresenta esculturas, quadros, luminárias feitas de materiais recicláveis. Utilizando somente plástico, alumínio, ferro, papel e componentes eletrônicos o artista transforma completamente que é considerado lixo para alguns, em objetos luxuosos.
Desde sua volta de Paris, o artista começou a criar quadros temáticos, cápsulas de champanhe transformados em "pequenas cadeiras de pensamento", com motor de liquidificador ele faz apropriações e o transforma em luminária e de outros materiais surgem caixas, animais, quadros e espelhos se fundem em um festival de formas, mas todos com a mesma característica: o sentido da transformação chamada descartáveis​​. Um outro olhar sobre o meio ambiente.

O que: O Luxo do Lixo
Onde:
Centro Cultural Abrigo dos Bondes
Rua Marquês de Paraná, 100
Centro
Niterói
Ver no mapa

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

LIXO – este problema tem solução



............Nos últimos anos registrou-se um crescimento acelerado da população urbana no Brasil. Com o Estado do Pará não foi diferente. Em função dos avanços tecnológicos, esta população vem apresentando mudanças marcantes nos hábitos de consumo. Com isso, o lixo produzido é cada vez maior e de qualidade diversificada, contribuindo para uma série de problemas de ordem sanitária, ambiental, econômica e social.
............Por causa de fatores diversos, como a escassez de recursos financeiros, a falta de apoio técnico e a falta de consciência em relação aos prejuízos que o lixo acarreta à saúde da população e ao meio ambiente, os municípios paraenses enfrentam sérias dificuldades com a coleta e destinação de seu lixo.
............De maneira diferente, o problema do lixo incomoda hoje as diversas cidades do Estado, afligindo mais fortemente algumas prefeituras do que outras. Isto não significa, porém, que os problemas sejam menores ou de mais fácil solução nos locais onde parecem incomodar menos. Problemas atualmente invisíveis podem, em pouco tempo, causar grandes dificuldades.
............Não há qualquer vantagem em deixar a solução para depois. Um município pode, por exemplo, não estar registrando ainda conseqüências graves da poluição ambiental sobre a saúde da população. Mas elas, certamente, podem aparecer se o problema for negligenciado. O rigor das leis e as pressões populares podem ainda não ter atingido a administração. Mas, até quando?
............Apesar de tudo, a situação pode ser enfrentada com calma e tranqüilidade. As soluções para o problema podem estar em propostas simples e específicas para cada região. Juntos, Governo estadual, Prefeituras e a comunidade podem chegar às medidas que vão proporcionar melhor qualidade de vida a toda população paraense.

O que é o lixo?

............É todo e qualquer material proveniente das atividades humanas que não serve mais e, por isso, é jogado fora. Pode ser também gerado pela natureza. O lixo é produzido tanto em aglomerações urbanas quanto em zonas rurais.

Composição do lixo

............A composição do lixo é bastante diversificada, sendo definida de acordo com as características de cada município ou comunidade onde é produzido. A localização da cidade, suas atividades industriais, agrícolas e comerciais, além das condições sócio-econômicas da população são alguns dos fatores que determinam as características do lixo de um município.
............Lixo orgânico: É aquele proveniente de quaisquer seres vivos, sejam animais ou vegetais. São facilmente decompostas pela natureza e podem ser reaproveitadas pelo homem. Exemplos: restos de comida, restos de frutas e verduras (caroço de açaí, casca de coco, etc), restos de plantas (folhas, galhos, pedaços de madeira, serragem, etc) e restos de animais.
............Lixo inorgânico: É aquele que resulta de produtos industrializados. São de difícil decompo- sição pela natureza, mas podem ser reciclados pelo homem. Exemplos: vidros, plásticos, papéis, metais, entulhos de construções, restos de tecidos (panos e trapos), materiais inertes (terra, areia, etc).

Classificação do lixo

  • O lixo pode ser classificado em diversas categorias, de acordo com sua origem.
  • – Lixo domiciliar: É todo lixo produzido nas residências.
    – Lixo público: É o lixo proveniente de logradouros públicos, como ruas, praças e feiras.
    – Lixo de serviços de saúde: É aquele produzido por hospitais, unidades de saúde. Laboratório e farmácias.
    – Lixo comercial: É aquele produzido nos estabelecimentos comerciais.
    – Lixo industrial: É aquele produzido nas indústrias, como restos de matérias-primas e de sub- produtos.

    Formas prejudiciais de dispor o lixo

  • Depósito a céu aberto, o lixão
  • ............Caracterizado pela simples descarga do lixo sobre o solo, sem medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública, o lixão é uma forma inadequada de disposição final do lixo. Tecnicamente, é o mesmo que depósito de resíduos a céu aberto.
    ............Os lixões são responsáveis por alguns problemas urbanos, como a proliferação de animais transmissores de doenças e o surgimento de catadores de lixo, que muitas vezes moram no local e até mesmo se alimentam de restos de comida.
    ............Quando o lixo é despejado no chão, sem qualquer critério e a céu aberto, torna-se uma série ameaça ao meio ambiente porque provoca alterações nas características do solo. Através do chorume, que é um líquido de cor preta, malcheiroso e de elevado grau poluidor, produzido pela decomposição de matéria orgânica contida no lixo, pode ocorrer poluição dos mananciais subterrâneos de água e conseqüentemente dos superficiais.
    ............Partículas de lixo também são lançadas para a atmosfera, produzindo efeitos danosos ao homem e ao meio ambiente. A poluição do ar causa doenças respiratórias e de pele, inclusive o câncer, que em alguns casos pode ser irreversível.
    ............O lixo acumulado propicia o surgimento de animais transmissores de doença porque oferece, ao mesmo tempo, disponibilidade de água, alimento e abrigo para eles. São seres que podem ser classificados em: macrovetores (ratos, baratas, moscas e animais de porte maior como cães, aves, suínos e eqüinos) e microvetores (vermes, bactérias e fungos).
    ............Estes vetores, ou seja, transmissores de doenças, são responsáveis pelo surgimento de epidemias intestinais, além de outras enfermidades lesivas e até mortais, como a cólera, o tifo, a leptospirose, a pólio, etc.

  • Depósitos em rios, igarapés, córregos e praias
  • ............Quando lançado em córregos, igarapés, rios e praias, o lixo provoca a poluição das águas e leva ao acúmulo de sedimentos nos leitos desses ecossistemas. Além da sujeira, provoca o aumento da temperatura da água, provocando a diminuição da quantidade de oxigênio dissolvido nela. A conseqüência é que fica cada vez mais difícil a vida dos seres que nela habitam, como plantas e peixes. O ciclo vital das espécies é quebrado, prejudicando as comunidades que sobrevivem da pesca.
    ............Tanto nesses locais quanto nos lixões, verifica-se o total descontrole quanto aos tipos de lixo despejados. Há até mesmo lixo originado dos serviços de saúde e indústrias, prejudicando ainda mais o solo, a água e o meio ambiente, porque contém substâncias tóxicas e perigosas.

  • Conseqüências da má disposição do lixo

  • Nas cidades e beiras de estradas:

    - proliferação de vetores de doenças;
    - poluição ambiental e visual, comprometenndo a beleza da cidade;
    - aumento do custo para limpeza e manutençção;
    - obstáculos para o trânsito, provocando aacidentes;
    - perigo para os carros e pedestres com a presença de objetos cortantes.


  • Nas praias, rios, igarapés e córregos:

    - poluição da areia, prejudicando principaalmente as crianças;
    - poluição da água;
    - perigo de acidentes com materiais cortanntes para os freqüentadores;
    - morte da flora e da fauna aquáticas (peiixes e vegetação);
    - prejuízo ao lazer, à pessoa, à alimentaçção e à paisagem natural;
    - comprometimento de sua utilização pelas gerações futuras, etc.

    Alternativas para o tratamento do lixo

    ............Independentemente de suas dimensões ou disponibilidade de recursos, cada município paraense enfrenta hoje o desafio de encontrar soluções para a questão do lixo urbano.
    ............Mas o fato é que não existem soluções prontas ou fórmulas mágicas. O que existe é um conjunto de alternativas a ser analisado e adequado à realidade dos municípios. Cada um deve buscar a solução sob medida para seus problemas.
    ............Esse conjunto de alternativas requer a participação não só do poder público, mas também da população. Começa com o acondicionamento do lixo, passando pela coleta, tratamento e disposição final do mesmo.

  • Serviço de limpeza urbana:
  • ............O lixo geralmente é tratado em locais afastados do seu posto de geração. Para chegar nessas áreas, depende da população e do Poder Público Municipal. A população faz a coleta interna, o acondicionamento e armazenamento dentro das residências, estabelecimentos comerciais, fábricas, etc. A Prefeitura responde pelo chamado serviço de limpeza urbana: a coleta, o transporte, a disposição final e o tratamento desses resíduos.
    ............Um sistema urbano de limpeza sanitariamente adequado e ambientalmente seguro não polui o ar, a água e o solo, nem contamina o meio ambiente. A cidade que dispõe de serviço de limpeza adequado aumenta a qualidade de vida da sua população, através da redução da mortalidade causada por doenças provocadas pelo lixo. Além disso, ganha um aspecto mais bonito.

  • Acondicionamento:
  • ............A limpeza da cidade começa dentro de casa, ou seja, no local onde o lixo é gerado. Por isso, a população deve ser conscientizada da necessidade de acondicionar o lixo em depósitos apropriados para evitar o derramamento e facilitar o seu manuseio na hora da coleta.
    ............O tipo de depósito para acondicionamento do lixo urbano deverá ser definido levando-se em consideração as características do lixo, o volume, a freqüência com que é feita a coleta, o tipo de edificação e o preço do recipiente.


  • Existem dois tipos de recipientes:

    - Recipientes com retorno: aqueless devolvidos após o esvaziamento: devem ser de ferro ou plástico duro, ter tampas e alças e tamanho adequado para facilitar a coleta;
    - Recipientes sem retorno: colocaddos no veículo coletor juntamente com o lixo, sendo os sacos plásticos os mais utilizados.

  • Coleta:
  • ............A coleta do lixo e seu transporte para as áreas de tratamento ou destinação final impedem o desenvolvimento de transmissores de doenças que encontram alimento e abrigo n lixo. A Prefeitura deve atender indistintamente toda a população do Município, assim como fazer a coleta regularmente.
    ............Quando o lixo não é recolhido, a cidade fica com mau aspecto e mau cheiro. Isso costuma incomodar mais diretamente a população, que passa a criticar a administração municipal. As possibilidades de desgaste político são grandes, sendo este mais um motivo para que as prefeituras promovam investimentos no setor de coleta de lixo.


  • Tipos de lixo coletados pela Prefeitura:

    - domiciliar;
    - de estabelecimentos comerciais;
    - de feiras e mercados;
    - industrial, quando não tóxico ou perigosso;
    - de unidades de saúde;
    - animais mortos de pequeno porte;
    - folhas e podas de árvores;
    - entulhos de construções.

  • Transporte:
  • ............No transporte do lixo podem ser utilizados diferentes tipos de veículos, desde os de tração animal até caminhões dotados de carrocerias compactadoras. A escolha depende da natureza e quantidade do lixo, dos custos de operação e manutenção do veículo, da urbanização e pavimento das ruas, das condições de tráfego e, principalmente, da adequação à realidade local.


  • Tipos de veículos coletores:

    - Caminhão com carroceria compactadora: pode ser utilizado em cidades de grande e médio porte que possuem alta ou média densidade populacional e vias com condições favoráveis de tráfego;
    - Caminhão com carroceria basculante: pode ser utilizado em cidades de médio e pequeno porte, onde a população não é concentrada.
    - Carreta rebocada com microtrator:: pode ser utilizada em pequenas comunidades com áreas de difícil acesso e poucos recursos financeiros;
    - Carroça rebocada por motocicleta:: pode ser utilizada em pequenas comunidades com vias de estivas e poucos recursos financeiros;
    - Carroça com tração animal: pode ser utilizada em comunidades rurais com áreas inacessíveis a outros equipamentos e poucos recursos financeiros;
    - Canoa: pode ser utilizada em ciddades ribeirinhas sem acesso a nenhum outro tipo de veículo.

    ............É bom lembrar que existem cidades com áreas de características diferentes, justificando o uso de diversos tipos de equipamentos para a coleta do lixo.

  • Limpeza dos logradouros:
  • ............O serviço de limpeza de logradouros é uma atividade importante para o Município, pois mantém a cidade limpa, minimiza os riscos à saúde pública e previne inundações de ruas pelo entupimento de galerias e ralos.


  • Este serviço compreende:

    - Varrição e coleta de lixo de ruas, praçças e parques;
    - Capinagem e roçagem;
    - Remoção de animais mortos;
    - Remoção de podas de árvores;
    - Remoção de entulhos e materiais volumossos;
    - Limpeza de praias;
    - Limpeza de feiras e mercados;
    - Limpeza de bocas de lobo, galerias e cóórregos;
    - Limpeza de monumentos;
    - Limpeza de valas e canais;
    - Combate a transmissores de doenças.

  • Tratamento:
  • ............Após a coleta, o correto tratamento do lixo previne e impede o desenvolvimento de seres vivos transmissores de doenças, como ratos, baratas, moscas e mosquitos, que indiretamente poluem e contaminam o meio ambiente e o próprio homem.
    ............Existem várias formas de tratar o lixo. Pode ser o aterro sanitário, a reciclagem, a compostagem ou a incineração. O melhor sistema para cada município deve ser avaliado de acordo com as condições financeiras da Prefeitura e as características do lixo local.

    Formas de tratar o lixo

  • Aterro sanitário:
  • ............Aterro sanitário é a forma de disposição final do lixo urbano no solo, seguindo normas específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e minimizando os impactos ambientais.
    ............O lixo é disposto em camadas cobertas com material inerte, geralmente solo. Além disso são construídos sistemas de drenagem e tratamento para os gases e os líquidos (chorume) produzidos pelo lixo.
    ............O aterro sanitário evita riscos ambientais e possibilita o reaproveitamento da área no futuro. Para a maioria dos municípios paraenses, apresenta-se como uma interessante opção de destinação final do lixo.
    ............Qualquer processo de tratamento do lixo, entretanto, necessita de um local para disposição final dos refugos e sobras do mesmo, um local onde possam ser descartados de forma apropriada.

  • Reciclagem:
  • ............Reciclagem é o resultado de uma série de atividades através das quais materiais que se tornariam lixo, ou estão no lixo, são reaproveitados como matéria-prima na manufatura de bens.
    ............A reciclagem não deve ser vista como a principal solução para o lixo, mas como umas das alternativas para o problema, pois nem todos os materiais que compõem o lixo podem ser reciclados. São recicláveis alguns tipos de papel, o plástico, o vidro, o metal, o entulho, etc.
    ............Antes de decidir pela implantação de um programa de reciclagem, a Prefeitura deve verificar se existe no Município, ou nas proximidades, formas de escoamento desses materiais (venda ou doação). A análise do mercado indicará quais produtos do lixo podem ser reciclados. De nada adianta reciclar, se não houver demanda para o reaproveitamento dos materiais.


  • Vantagens da reciclagem:

    - Diminuição da quantidade de lixo a ser aterrado;
    - Aumento da vida útil do aterro;
    - Preservação dos recursos naturais;
    - Economia de energia;
    - Diminuição da poluição do ar e das águaas;
    - Geração de empregos, através da criaçãoo de indústrias recicladoras.

  • Compostagem:
  • ............Compostagem é o processo biológico de decomposição da matéria orgânica contida em restos de origem animal ou vegetal (sobras de comidas, frutas, verduras, etc). Este processo tem como resultado final um composto orgânico que pode ser utilizado como recondicionante do solo, adubo na agricultura e jardinagem, sem ocasionar riscos ao meio ambiente. A compostagem é importante porque em alguns municípios a matéria orgânica contida no lixo chega a ser superior a 60%.
    ............As usinas de compostagem podem ser também artesanais, sendo indicadas para o tratamento do lixo nos municípios paraenses, principalmente quando conjugadas com a coleta seletiva.


  • Vantagens da compostagem:

    - Economia do aterro;
    - Aproveitamento agrícola da matéria orgâânica;
    - processo ambientalmente seguro;
    - Eliminação de patógenos.

  • Incineração:
  • ............Incineração é o processo de queima controlada do lixo em fornos projetados para transformá-lo em material inerte. Este tipo de tratamento é recomendado, sobretudo, para o lixo perigoso, como o produzido pelos serviços de saúde.


  • Vantagens da incineração:

    - Redução drástica do volume a ser aterraado;
    - Redução do impacto ambiental;
    - Eliminação de agentes patogênicos e subbstâncias tóxicas;
    - Produção de energia.


  • Desvantagens da incineração:

    - Alto custo de instalação e manutenção;
    - Exigência de mão-de-obra qualificada.

    Educação ambiental

    ............A educação ambiental é um processo permanente no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos, valores, habilidades, experiências e determinação, tornando-se aptos a agir, individual e coletivamente, e resolver problemas ambientais presentes e futuros.


  • Entre as características fundamentais da educação ambiental, destacam-se:

    - o enfoque orientado à solução de probleemas concretos da comunidade;
    - o enfoque interdisciplinar dos problemaas do meio ambiente;
    - a participação da comunidade;
    - o caráter permanente, orientado para o futuro.

    ............Como a participação da população é ponto fundamental para o sucesso de qualquer programa de combate ao lixo a ser implantado pela Prefeitura, devem ser feitas campanhas de educação ambiental, desencadeadas em parceria com as instituições locais: escolas, igrejas, centros comunitários, etc.

  • Como colaborar:

  • Veja como a população pode contribuir para que o problema do lixo seja resolvido ou minimizado em seu município:

    - Reduzindo a quantidade de lixo, reaprovveitando o que for possível;
    - Separando o lixo que pode ser recicladoo através da coleta seletiva;
    - Cumprindo os dias e horários da coleta domiciliar;
    - Não jogando lixo nas ruas, praças, jarddins, etc.
    - Não jogando lixo nas margens ou leito ddos rios, lagos e igarapés;
    - Cobrando ações da prefeitura, mas fazenndo também a sua parte.

  • Campanha educativa:
  • ............Para que a população participe ativamente das ações propostas para minimizar os problemas gerados pelo lixo, é imprescindível que a prefeitura e entidades envolvidas façam uma boa divulgação. Devem ser usados os meios de comunicação locais, como jornais, rádios, carros de som, faixas e outros mecanismos para difusão de informações e planos. A campanha educativa pode ser completada com a promoção de seminários, conferências e palestras.
    ............Esclarecida e sensibilizada, a população se tornará a principal aliada da prefeitura na implantação do programa elaborado. Desta forma, a gestão ambiental passa a ser, de fato, um compromisso de toda a coletividade.

    Por onde começar

    ............Para implantar um programa que minimize os impactos negativos causados pelo lixo urbano, a prefeitura deve, primeiramente, conhecer a extensão do problema e caracterizar corretamente o lixo do município. O primeiro passo é fazer, portanto, uma pesquisa detalhada sobre o mesmo.

  • Proposta de roteiro:
  • - Determinar a quantidade de lixo gerado ppor habitante num período de tempo especificado (taxa de geração por habitantes);
    - Determinar as porcentagens dos vários coomponentes do lixo, como papel, vidro, matéria orgânica, etc (composição física);
    - Determinar a quantidade de matéria orgânnica do lixo (teor de matéria orgânica);
    - Efetuar o balanço de massa contida no liixo;
    - Determinar a quantidade de água contida na massa do lixo;
    - Determinar o peso específico;
    - Determinar a composição química do lixo;;
    - Verificar a existência do terreno disponnível para servir como área de destino final;
    - Realizar pesquisa de mercado, no próprioo município ou nos municípios próximos, quanto ao consumo de materiais reciclados;
    - Definir a quantidade de recursos financeeiros que a prefeitura poderá dispor para implantação do projeto;
    - Levantar o tipo de serviço que atualmentte é feito no município.

    ............Depois de concluído o levantamento, deve ser feito um exame cauteloso da informações coletadas. Com a ajuda de técnicos da SECTAM ou técnicos contratados para este fim, a prefeitura deve avaliar, dentro do conjunto das alternativas, qual é a proposta que melhor se aplica à realidade do município. Só assim poderá montar a solução sob medida para o caso de determinada cidade.

    C o n c l u s ã o

    ............Encontrar soluções para os problemas gerados pelo lixo urbano constitui-se hoje num grande desafio. Os efeitos do acúmulo de lixo para o meio ambiente e a saúde da população têm levado a situações muitas vezes irreversíveis, através da contaminação ambiental e do alto índice de mortalidade infantil registrado nos municípios paraenses.
    ............Cada município deve buscar o modelo de gerenciamento mais adequado às suas características, sempre pensando de forma integrada. As soluções não podem ser tomadas isoladamente, mas como um conjunto de alternativas que, somadas, resultarão na superação do problema.
    ............Gerenciar o lixo de forma integrada significa limpar o município com um sistema de coleta e transporte adequados, tratar o lixo utilizando as tecnologias mais compatíveis com a realidade local e dar-lhe um destino final ambientalmente seguro. Não se pode esquecer também a importância da educação ambiental.
    ............Se não houver a participação efetiva da população neste processo, qualquer alternativa se tornará inviável, mesmo as melhores do ponto de vista técnico e financeiro. De nada adiante, por exemplo, utilizar o melhor sistema de coleta e transporte do lixo, se a população não respeitar os horários e não acondicioná-lo de forma correta.
    ............Limpar a cidade é obrigação da prefeitura, mas mantê-la limpa só será possível com a colaboração da comunidade.

    Fonte: Manual da SECTAM, série Saneamento ambiental nº 1,
    sob o título: Lixo – este problema tem solução – Belém, 1997.

    sexta-feira, 25 de abril de 2014

    Catadores de Materiais Recicláveis

    De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico realizada pelo IBGE em 2000, coleta-se no Brasil diariamente 125,281 mil toneladas de resíduos domiciliares, e 52,8% dos municípios Brasileiros dispõem seus resíduos em lixões.

    Hoje estima-se que 1 em cada 1000 brasileiros é catador.
    E 3 em cada 10 catadores gostariam de continuar na cadeia produtiva da reciclagem mesmo que tivessem uma alternativa. Estes têm orgulho de ser Catador.

    Há Catadores de todo tipo.
    • Trecheiros: que vivem no trecho entre uma cidade e outra, catam lata pra comprar comida.
    • Catadores do lixão: catam diuturnamente, fazem seu horário, catam há muito tempo ou só quando estão sem serviço de obra, pintura etc.
    • Catadores individuais: catam por si, preferem trabalhar independentes, puxam carrinhos muitas vezes emprestados pelo comprador que é o sucateiro ou deposista.
    • Catadores organizados: em grupos autogestionários onde todos são dono do empreendimento, legalizados ou em fase de legalização como cooperativas, associações, ONGs ou OSCIPs.

    O Catador é um sujeito que, historicamente, tira do lixo o seu sustento. Seja através da prática da coleta seletiva junto a alguns parceiros que doam o seu lixo ou, melhor ainda, seus recicláveis selecionados na fonte; seja caçando recicláveis pelas ruas e lixões, sacando os recicláveis do lixo misturado que o gerador não teve a decência de separar e colocou no mesmo saco o que pode e o que não pode ser reaproveitado.
    Com esse “trabalho” a companhia de limpeza urbana deixa de pagar inúmeros kilos que seriam coletados e dispostos em aterro ou lixão. Na pior das hipóteses é uma economia. É um serviço a população já que esses materiais coletados pelos catadores vão evitar o consumo de matéria prima virgem – recursos naturais esgotáveis – além da economia com coleta e disposição final.

    Dentre os Catadores organizados ou em organização existem os

    • Grupos em organização: com pouca ou nenhuma infra-estrutura, muita necessidade de apoio, e vontade de trabalhar em grupo e se fortalecerem.
    • Catadores organizados autogestionários: grupos que funcionam como cooperativas de fato onde decisões são tomadas de modo democrático, as vendas e os resultados são de domínio de todos graças a transparência das informações que muitas vezes são afixadas na parede - o valor da venda, dos descontos, as atas das reuniões e etc. Não há uma liderança única da qual dependam todas as decisões e todos os associados representam o empreendimento como dono.
    • Redes de cooperativas autogestionárias: A idéia de rede é uma forma de fortalecer os grupos na busca de quantidade, qualidade e freqüência que são algumas das imposições do mercado da reciclagem. Em rede os grupos podem vender por melhores preços por terem juntos maiores quantidades e aqueles que não tem prensa poderem enfardar o material. Em rede os grupos também podem se organizar para otimizar a coleta e realizarem inclusive coleta de outros materiais como óleo de cozinha, alimentos entre outros.

    E há também as

    • Coopergatos: Grupos não autogestionários, que tem um dono, onde um manda e todos obedecem e funciona como uma empresa privada só que sem os benefícios sociais que uma empresa privada teria que dar.
    • Cooperativas de Sucateiros: Alguns sucateiros que, nem sempre, mas freqüentemente tem com catadores relações pra lá de exploratórias, percebendo vantagens junto a políticas públicas se regularizam legalmente como cooperativas mas funcionam como empresa privada, sob a fachada do cooperativismo. Infelizmente esse padrão é bastante freqüente.
    • Cooperativas de apoiadores: Grupos de catadores organizados por pessoas que não tem histórico na catação e se auto-declaram catadores (mas tem perfil de apoiador) para exercer uma liderança sem nenhum compromisso com o processo emancipatório dos catadores. Apoiadores só deveriam fazer parte de uma cooperativa de catadores de materiais recicláveis se fosse no conselho consultivo, sem direito a voto e sem direito a renda.

     É imperativo que o apoio aos catadores seja compromissado com o protagonismo deles e a construção dos processos emancipatórios desta categoria.
    Catadores são vítimas de preconceito por parte da sociedade e constantemente são associados ao problema do lixo podendo ser associados as soluções.

    São atores históricos da gestão dos resíduos nas cidades e da cadeia produtiva da reciclagem e merecem políticas públicas que fortaleçam seu perfil empreendedor e ecológico.

    O estilo do apoio no Brasil é o do amparo, da tutela simbólica, que vê os atores históricos como incapazes, estilo cesta básica e assistencialismo. Será bom entender o que é apoio dentro de uma premissa emancipatória.


    De acordo com o dicionário Aurélio temos 

    a.poi.o
    s. m. 1. Tudo que serve para amparar, firmar, segurar, sustentar. 2. Mec. e Constr. Base, assento, sapata. 3. Amparo, socorro. 4. Argumento, autoridade, prova, ou qualquer coisa que se autorize, ou se prove. 5. Aprovação, assentimento.

    E temos ainda
    tu.te.la
    s. f. 1. Dir. Encargo legal para proteger uma pessoa ou os bens de um menor ou de um interdito; tutoria. 2. Amparo, proteção. 3. Fam. Sujeição vexatória; dependência.

    E ainda
    e.man.ci.par
    v. 1. Tr. dir. Eximir do poder paternal ou de tutela. 2. Tr. dir. Tornar independente. 3. Pron. Livrar-se do poder paternal ou de tutela. 4. Pron. Tornar-se livre.

    segunda-feira, 3 de março de 2014

    Lavar lixo reciclável é desnecessário e desperdiça água, dizem especialistas

    Autor: Eduardo Carvalho Do G1, em São Paulo

    Trabalhadores separam lixo em cooperativa de reciclagem que fica no bairro de São Mateus, Zona Leste de São Paulo (Foto: Hélvio Romero/Estadão Conteúdo) 
    Trabalhadores separam lixo em cooperativa de reciclagem que fica no bairro de São Mateus, Zona Leste de São Paulo (Foto: Hélvio Romero/Estadão Conteúdo)
    Quem tem o hábito de lavar o lixo doméstico antes de destiná-lo à reciclagem está gastando água com algo desnecessário, explicam especialistas ouvidos pelo G1. Lavar itens como caixas de leite longa vida, potes de iogurte, garrafas PET ou de vidro para retirar restos de alimentos não ajuda no processo de reciclagem e gera mais esgoto – que muitas vezes não é coletado e tratado.
    Esses materiais de qualquer forma serão novamente lavados quando chegarem às cooperativas, onde ocorre o processo de separação do papel, plástico, vidro e metal, que, posteriormente, serão destinados às indústrias de reciclagem.
    “Em qualquer processo de reciclagem, o resíduo será submetido a um processo de higienização. Não há necessidade de uma lavagem aprofundada do material”, explica Carlos Silva Filho, diretor-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).
    A melhor maneira de preservar o lixo reciclável dentro de casa de maneira higiênica (sem uso de água), até que passe o caminhão para recolher, é guardá-lo em recipientes fechados, que evitam o surgimento de moscas e a emissão de odores, explica Emilio Maciel Eigenheer, especialista em resíduos sólidos.
    Brasil, um país de lixões
    Apesar de a lavagem de material reciclado ser um desperdício de água, quando se trata do tratamento de resíduos sólidos, esse problema ambiental ainda é pequeno em comparação com a existência de quase 3 mil lixões. O país ainda recicla apenas 1,4% das 189 mil toneladas de lixo que gera por dia. Segundo o governo federal, dos 5.564 municípios brasileiros, somente 766 fazem coleta seletiva.
    Apesar de a reciclagem no país ser um mercado bilionário – em 2012 a coleta, a triagem e o processamento de materiais em indústrias geraram faturamento de R$ 10 bilhões – o Brasil perde R$ 8 bilhões ao ano ao enterrar, em aterros e lixões, materiais que poderiam ser reciclados.
    Os dados são do Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem), associação dedicada à promoção da gestão integrada do lixo. Mas esses números podem mudar com a implantação da nova Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída em 2010 e que tem previsão para entrar em vigor a partir de agosto deste ano.
    De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, os instrumentos da PNRS (que eliminam de vez todos os lixões e obriga as prefeituras a instalar aterros sanitários) ajudarão a alcançar o índice de 20% na reciclagem de resíduos já em 2015.
    Para Silva Filho, mesmo a lei entrando em vigor ainda vai faltar ao governo investir na educação da população para o tema da reciclagem. Segundo uma pesquisa feita pela Abrelpe com 2 mil pessoas, 88% dos entrevistados se disseram favoráveis e propensos em ajudar o meio ambiente por meio da separação de resíduos. Porém, todos alegaram que não receberam orientação de como fazê-la.
    “Falta orientação para esclarecer dúvidas básicas, como se eu preciso lavar o pote de margarina ou se posso jogar o papelão que veio a pizza, mesmo com gordura, para a reciclagem. Isso acaba prejudicando o sistema de coleta seletiva. O poder público tem que dar essa instrução”, explica.
    O Brasil perde R$ 8 bilhões ao
    ano ao desperdiçar, enterrando em aterros e lixões, os materiais que poderiam ser reciclados
    Cestos coloridos não funcionam
    O cesto azul é para jogar o papel. No vermelho, vai o plástico. O verde é para o vidro e o amarelo é para o metal. Isso é o que muitas vezes se aprende a respeito da reciclagem. No entanto, essa separação não funciona de fato no Brasil, pois o lixo chegará na cooperativa e será misturado.
    Segundo os especialistas ouvidos pelo G1, a implantação das lixeiras coloridas foi uma tentativa de trazer para o país o hábito da reciclagem da forma como foi criado e consolidado em países desenvolvidos, onde a coleta ocorre por item.
    No Japão, por exemplo, há um calendário para recolhimento de cada material reciclável, algo que no Brasil estaria fora de cogitação devido ao custo elevado da coleta multifrações, como é conhecida a técnica, que custa de quatro a seis vezes mais que a coleta dual, quando o lixo é separado apenas em reciclável e orgânico.
    "O ideal é separar o lixo seco [aquele que pode ser reciclado] do lixo úmido [materiais orgânicos como restos de comida e materiais não recicláveis, como papel higiênico] e deixar o resto para a cooperativa fazer", explica Sandro Mancini, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em reciclagem de resíduos sólidos.
    "[Ter os cestos coloridos] é um gasto extra e um desestímulo à população, que quando vê esse monte de lixeiras coloridas, acaba misturando todo o lixo e colocando-o em um único cesto. Precisamos repensar essa medida", aponta Silva Filho.

    Fonte:  http://g1.globo.com/natureza/noticia/2014/02/lavar-lixo-reciclavel-e-desnecessario-e-desperdica-agua-dizem-especialistas.html

    sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

    sábado, 18 de janeiro de 2014

    O lixo e os seus riscos

    Por: Adriana Teixeira Simoni
    IDEIAS  SUSTENTÁVEIS 
     
    Não tenho a intenção ao trazer essa reflexão aos leitores de chamar atenção para o que a maioria das pessoas já sabe ou entendem a respeito de que há no lixo uma imensidão de germes e contaminações, essas que podem causar danos à saúde humana e comprometer a higiene ambiental. Pretendo ir mais fundo tentando trazer sua atenção diária e permanente aos resíduos que produzem e a forma e responsabilidade com que os descartam.
     
    A maioria das pessoas também demonstra pelo lixo que produz tremenda repugnância e desprezo. Muitos a ponto de ignorar o tão explorado assunto RECICLAGEM. Fato é, que devido ao desprezo e a desconsideração de que esses resíduos produzidos a cada movimento proporcionado pela vida, que são gerados por cada indivíduo desde o momento que nasce até depois de sua morte, são sim de sua total responsabilidade até chegarem aos seus destinos adequados, salvo os bebes e os impedidos por razões físicas e ou intelectuais.
     
    Por que devemos ter responsabilidade com nosso lixo até que chegue ao seu destino mais adequado? Simples mas com necessária atitude, pois, depende de você procurar primeiro saber dias e horários da coleta dos diversos tipos de   resíduos. Quais os dias e horários da coleta de lixo urbana se há coleta de residos orgânicos separada, se a cidade conta com cooperativas de reciclagem ou catadores que recolhem reciclagem combinando a retirada semanal em seu portão.  Você também deve se interessar em saber o calendário de coleta de “cata bagulho”, de podas de jardim, entulhos de construção e geralmente cada município tem uma quantidade máxima permitida e formas de dispor frente a sua casa. Sendo assim, primeiro passo: Buscar informação nos órgãos responsáveis evitando assim problemas e multas.
     
    Quando você deposita seu lixo para coleta urbana é de suma importância verificar o horário que a coleta passa em sua rua, pois há épocas em que surgem no bairro animais perdidos e que com fome acabam rasgando os sacos de  lixos  espalhando e sujeitando você a riscos como ter nome e documentos e até mesmo email e telefone expostos. Se houver nesse lixo vidro ou garrafas quebradas, dá a oportunidade desse lixo se voltar contra você ou um vizinho na forma de uma arma fácil e oportuna a um bandido ocasional passando no momento em que você sai de sua casa distraído. São ocorrências bobas que muitas vezes pode colocar você  e sua família em risco.   
     
    Exemplos de riscos não faltam, bem como imprudência e despreocupação de quem administra a retirada do lixo de dentro da residência. Outro item bastante preocupante que já foi manchete de noticiários e jornais num caso de homofobia na noite da capital paulista é a possibilidade de lâmpadas fluorescentes tornarem-se armas perigosas quando colocadas na lixeira da rua ou mesmo jogadas em caçambas de entulhos. Essas lâmpadas devem ser encaminhadas a coleta de lixo especial que há nos municípios e por vezes também em lojas que vendem esses objetos propiciando a logística reversa desses materiais onde a PNRS - A Política Nacional de Resíduos Sólidos atribui responsabilidades de pós-consumo aos fabricantes, distribuidores, comerciantes e consumidores finais. 
     
    Sabe aquele velho ditado sobre não dar margem ao azar? Pois bem, vizinhos de um bairro bastante reincidente em pequenos roubos e assaltos e assaltos a mão armada também não tiveram nenhum receio em jogar na calçada bem próximo a casa, uma escada de madeira em condições um tanto comprometidas de uso, mas ainda com boa possibilidade de favorecer  a um meliante ocasional que  ora andando pela rua despretensioso seja  despertado ao visualizar a escada  como  facilitadora e assim  cometer um ato de violação em uma residência qualquer .
     
    Não tenho a intenção de espalhar terror, mas sim consciência de que em nossa sociedade há uma parcela doente e sem escrúpulos, mas que com interesse do Estado, possuem possibilidade de  transformação.  Sendo assim quero alertar que não se amarra mais cachorro com linguiça e logo é importante tomar cuidado com o que se coloca pra fora de casa  em forma de lixo, descarte ou entulho. 
     
    Nem tudo é visto só como lixo. Hoje o dito “lixo” tanto pode ser de valor a um ato impensável de um meliante, assim como pode ter valor expressivo para um catador de reciclagem. Onde a reciclagem de “lixo” levada a sério é um fator essencial à sustentabilidade. Porém, hoje encontrar um lixo considerado 100 % lixo é algo tecnologicamente falando muito difícil, pois se transforma em energia querendo, mas é infelizmente raro de se ver efetivamente sendo implantado como deveria e a Política Nacional de resíduos Sólidos - Lei nº 12.305/10 institui. Aguardemos!
     
    Colabore, diminua os riscos, proporcione renda a famílias de catadores de reciclagem, proporcione uma cidade limpa, um ambiente saudável pra você e sua comunidade. Ajuste-se a um mundo consciente da necessidade de promover um viver sustentável para as atuais e futuras gerações.
     
     
    Adriana Teixeira Simoni é Assistente Social com ênfase socioambiental, administradora do Blog Ideias Sustentáveis

    quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

    Baixe aqui o Guia Pedagógico do Lixo



    Livro/PDF: Clique
     
                                                         A Secretaria de Estado do Meio Ambiente publicou, pro meio da Coordenadoria de Educação Ambiental (CEA), 16 cadernos de educação ambiental para informar a população sobre a agenda ambiental. A sociedade brasileira, crescentemente preocupada com as questões ecológicas, merece e busca mais
     
    Informações. A construção do amanhã exige novas atitudes da cidadania, embasadas nos ensinamentos da ecologia e do desenvolvimento sustentável. Os cadernos de educação ambiental é uma proposta educadora, uma ferramenta facilitadora, nessa difícil caminhada rumo à sociedade sustentável.
     
     

    sexta-feira, 23 de agosto de 2013

    Alguns dados importantes sobre a reciclagem



    1.Quais cidades brasileiras podem ser tomadas como exemplos?
    Os cinco municípios brasileiros onde a prefeitura faz chegar o serviço de coleta seletiva a 100% das residências são Curitiba (PR), Itabira (MG), Londrina (PR), Santo André (SP) e Santos (SP). Em Curitiba, por exemplo, a fórmula que deu certo inclui o uso de caminhões que recolhem apenas o lixo seco, sem nenhum resto orgánico. O resultado: o lixo fica mais limpo e acaba vendido por um preço mais alto às indústrias de reciclagem. Isso ajuda a tornar o sistema de coleta seletiva em Curitiba mais barato (e viável) que o da maioria das cidades brasileiras.

    2. Por que em alguns municípios há programas de reciclagem e em outros não?
    Todo o resíduo de uma cidade é de responsabilidade das prefeituras. Dessa maneira, se não existirem iniciativas municipais, dificilmente a reciclagem será massificada. Outra situação a ser vencida é a falta de mecanismos de coleta seletiva. Essa etapa inicial e fundamental da reciclagem é realizada pelos órgãos públicos em cerca de 6% dos municípios brasileiros. A situação levou à formação de cooperativas de catadores de lixo e de empresas privadas especializadas, que enxergaram na coleta seletiva e na reciclagem uma forma de ganhar dinheiro. Na capital paulista, por exemplo, um estudo identificou, em 2002, cerca de setenta associações que coletam, fazem a triagem e comercializam material reciclável.

    3. Quais são os países que mais reciclam no mundo?
    Entre os países que mais reciclam estão os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha e a Holanda. Os EUA, por exmplo, conseguem reaproveitar pouco mais da metade do que vai parar nas lixeiras. Na Europa Ocidental, virou rotina nos supermercados cobrar uma taxa para fornecer sacolas plásticas. Os clientes levam as suas de casa. Também na Europa, o bom e velho casco (de vidro ou de plástico) vale desconto na compra de refrigerantes e água mineral. Para a redução do lixo industrial, a União Européia está financiando projetos em que uma indústria transforma em insumo o lixo de outras fábricas. Até a fuligem das chaminés de algumas é aproveitada para a produção de tijolos e estruturas metálicas.

    Fonte:http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/reciclagem/#8

    sexta-feira, 26 de julho de 2013

    Alumínio é material mais reciclado no Brasil, segundo dados do IBGE

    Informação faz parte de relatório de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável

     UOL Notícias
    Alumínio é material mais reciclado no Brasil, segundo dados do IBGE
    O campeão absoluto da reciclagem no Brasil é o alumínio, com 91,5% da matéria prima utilizada na indústria vindo de alumínio reciclado. Este percentual é de 2008 são do relatório de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgados no último dia 1.º de setembro de 2010.
    Depois do alumínio, vêm as embalagens pet, vidro, latas de aço e papel com taxas entre 43% e 55%. As embalagens longa vida são as menos recicladas (pela dificuldade de separação dos componentes) com 26,6%. As latas de alumínio têm o maior percentual de material reciclado devido ao alto valor de mercado da sucata de alumínio, associado ao elevado gasto de energia necessário para produção de alumínio metálico.
    As garrafas pet são o segundo material reciclado mais utilizado, 54,8% em 2008. A taxa de reciclagem do vidro vem se mantendo estável nos últimos anos, com 47% do total em 2008. No mesmo ano, 46,5% do aço consumido na indústria vinham de latas recicladas. Já 43,7% do total de papel consumido na indústria é reciclado.
    Alternativa à pobreza
    No Brasil, os altos níveis de reciclagem estão mais associados ao valor das matérias-primas e aos altos níveis de pobreza e desemprego do que à educação e à conscientização ambiental. É por conta disto que o papel, o vidro, a resina pet, as latas de aço, e as embalagens cartonadas, de mais baixo valor de mercado, apresentam índices de reciclagem bem menores que as latas de alumínio.
    O IBGE acredita que o estabelecimento, pelo governo federal, de preços mínimos para os materiais recicláveis deve elevar a proporção de materiais reciclados. Segundo o Instituto, apenas uma pequena parte do lixo produzido no Brasil é seletivamente coletado. A maior parte da reciclagem é feita por catadores, autônomos ou associados em cooperativas, que retiram do lixo os materiais de mais alto valor.
    Qualidade de vida
    A coleta seletiva de lixo e a conscientização da população para separar os resíduos, antes de descartá-los, podem aumentar não apenas a eficiência da reciclagem, como também trazer melhorias na qualidade de vida de catadores e de outros trabalhadores que lidam com resíduos.
    A reciclagem das embalagens longa vida tetrapak é mais recente e apresenta o menor valor 26,6%, sendo medida a partir de 1.999. Além de não possuir tanta tradição na reciclagem, a necessidade de separar os materiais componentes das embalagens tetrapak (papel, alumínio e plástico) é outro fator dificultador.
    As embalagens longa vida, por retardarem refrigeração, também contribuem para o combate à destruição da camada de ozônio, pois a refrigeração é o setor industrial que mais consome substâncias que destroem esta camada.
    A reciclagem, ao reduzir o consumo de energia e a extração de matérias-primas, reduz, também, a emissão de gases de efeito estufa associados à geração de energia pela queima de combustíveis fósseis.

    sexta-feira, 5 de julho de 2013

    EnerSolar+Brasil 2013 promove oportunidades na indústria solar

    A EnerSolar + Brasil | Feira Internacional de Tecnologias para Energia Solar, evento dedicado à energia solar e térmica, acontece de 17 a 19 de julho de 2013, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. Organizado pelo Grupo Cipa Fiera Milano e Artenergy Publishing, o evento promove as oportunidades na indústria solar da América do Sul, onde 250 expositores nacionais e internacionais, de países como Itália, Estados Unidos, Alemanha, Espanha e China, dentre outros, apresentam suas tecnologias, serviços e soluções para aplicações industriais e civis, nos segmentos de energia térmica solar e fotovoltaica, inversores e outras energias renováveis. Simultaneamente, acontece a feira internacional GREENERGY, especializada em energias renováveis, biocombustíveis, biogás, biomassa e a EÓLICA BRASIL SMALL WIND.
    As alternativas e caminhos para o uso das energias renováveis serão debatidas durante o III Congresso ECOENERGY, que contará com a presença de autoridades nacionais e internacionais dos mais diversos setores de energias renováveis. As principais entidades do setor já confirmaram presença, tais como: MME, EPE, SECRETARIA DE ENERGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO, ANEEL, COGEN, FIESP, CIESP, CENBIO, ABEÓLICA, ABENS, CAIXA ECONOMICA FEDERAL, BNDES, BLOOMBERG, INSTITUTO IDEAL, ABEAMA, ABRAGEL, ITALCAM, DASOL /ABRAVA. Para este ano, os organizadores esperam receber 8.000 mil visitantes formados por: engenheiros; arquitetos; empresários dos setores de energia, construção civil, hotelaria; produtores rurais; presidentes e diretores das principais entidades dos setores de energia e meio ambiente; para conhecer as últimas novidades em energias limpas e renováveis.
     Serviço
    EnerSolar + Brasil: II Feira Internacional de Tecnologias para Energia Solar
    Quando: 17 a 19 de julho de 2013, das 13h às 20h
    Local: Centro de Exposições Imigrantes – Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5 – São Paulo – SP – Brasil
    ENTRADA GRATUITA – profissionais do setor
    Eventos Simultâneos:
    Ecoenergy |Congresso Internacional de Tecnologias Limpas e Renováveis para a Geração de Energia
    Greenergy Expo Brasil: Feira da Indústria de Energias Renováveis no Brasil
    Eólica Brasil Small Wind
    - Transporte Gratuito – Estação do Metrô Jabaquara – saída de Vans na Rua Nelson Fernandes, 400

    sexta-feira, 28 de junho de 2013

    Gargalos impedem avanço da reciclagem do lixo no Brasil

    Com programas de coleta seletiva pouco organizados, a indústria recicladora funciona, em média, com capacidade ociosa entre 20% e 30%.



    A coleta seletiva ainda enfrenta gargalos para se tornar abrangente no País, como determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que entrará em vigor na segunda metade do ano que vem. A avaliação foi feita por André Vilhena, diretor do Compromisso Empresarial pela Reciclagem (Cempre), fórum que reúne 38 grandes empresas nacionais e multinacionais desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92.
    A falta de capacitação é mais grave no interior, mas também está longe do ideal nas grandes cidades: "Vamos pegar os exemplos das maiores cidades do Brasil: os programas tanto de São Paulo quanto do Rio de Janeiro são muito pouco abrangentes, precisam passar por uma reformulação e ampliação significativas. Sem dúvida alguma, no curto espaço de tempo, precisamos melhorar muito os programas de coleta seletiva nas cidades brasileiras, especialmente nas maiores".Vilhena destaca que um dos entraves para o avanço da coleta seletiva no Brasil é a falta de qualificação dos gestores locais responsáveis por elaborar os planos municipais de resíduos sólidos: "O envolvimento das prefeituras é o ponto de partida. Temos hoje poucos municípios fazendo a coleta seletiva e, principalmente, fazendo a coleta seletiva de forma abrangente. Para mudar isso, os gestores públicos necessitam de treinamento para que possam efetivamente implantar os programas em seus municípios".
    Com programas de coleta seletiva pouco organizados, a indústria recicladora padece de pouca oferta de matéria-prima e, segundo estimativas do Cempre, funciona, em média, com capacidade ociosa entre 20% e 30%. Levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2010 já mostrava que o Brasil deixava de movimentar R$ 8 bilhões anualmente por não aproveitar o potencial do setor. De acordo com o Cempre, apenas 14% das cidades brasileiras têm coleta seletiva, sendo 86% delas no Sudeste.
    Outro entrave para a reciclagem no Brasil, segundo Vilhena, é o peso tributário sobre o setor, que se beneficiaria de mudanças na cobrança de impostos: "De cara, deveria ser dispensado o recolhimento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) na venda de sucatas e materiais recicláveis, além de produtos com 100% de material reciclado. Poderia ser feita, a partir disso, uma redução gradativa do imposto conforme o percentual de material reciclado na composição", defende ele, que acredita haver bitributação no caso do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI): "em alguns setores, o produto já teve a cobrança do IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados]. quando foi descartado, e tem o desconto de novo durante a reciclagem".
    Edson Freitas, da organização não governamental EccoVida, concorda com as duas análises: "muita gente prefere a informalidade por causa dos impostos. Pago uns 30% de imposto sobre minhas garrafas e ainda tenho que pagar para destinar o lixo não aproveitável. Um dos projetos que desenvolvo, de produção de telhas a partir de pet [politereftalato de etileno, utilizado na fabricação de embalagens e outros produtos], eu trouxe de Manaus, porque lá não era viável por falta de plástico selecionado".
    Em seu galpão, o presidente da ONG conta que processa mil toneladas de material reciclado por mês, mas a falta de oferta o impede de vender o dobro disso de matéria-prima para fábricas como a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), que usa suas pets na produção de garrafas 100% recicladas, que corresponderam a 28% da produção em 2012 e devem chegar a 40% em 2013. No ano passado, a companhia reutilizou 60 milhões de pets na produção, número que deve saltar para 130 milhões neste ano, com a autorização da Anvisa para o uso de material reciclável em mais três fábricas da empresa, somando seis homologadas.
    A produção de pet a partir de material reciclável economiza 70% de energia e reduz em 70% a emissão de gás carbônico na atmosfera. Além das pets, a Ambev também produz, em sua fábrica de vidro, sete em cada dez garrafas desse material inteiramente com cacos reciclados, sendo 88% deles provenientes da própria cervejaria e 12% de cooperativas.
    O problema da falta de material de que Freitas se queixa, no entanto, não é causado só pela escassez de planos municipais. Para Vilhena, é preciso maior envolvimento da população: "Temos que melhorar o engajamento do cidadão brasileiro nos programas de coleta seletiva, que ainda estão aquém do desejado".
    Edson Freitas destaca que é preciso uma mudança de pensamento em relação aos materiais recicláveis: "nem chamo de lixo uma pet ou uma embalagem de papelão, porque não são lixo. Têm o mesmo valor que tinham quando o produto estava armazenado dentro delas. É só limpar que continua a ser material com valor comercial e utilidade".