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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Catadores de Materiais Recicláveis




De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico realizada pelo IBGE em 2000, coleta-se no Brasil diariamente 125,281 mil toneladas de resíduos domiciliares, e 52,8% dos municípios Brasileiros dispõem seus resíduos em lixões.

Hoje estima-se que 1 em cada 1000 brasileiros é catador.
E 3 em cada 10 catadores gostariam de continuar na cadeia produtiva da reciclagem mesmo que tivessem uma alternativa. Estes têm orgulho de ser Catador.

Há Catadores de todo tipo.
  • Trecheiros: que vivem no trecho entre uma cidade e outra, catam lata pra comprar comida.
  • Catadores do lixão: catam diuturnamente, fazem seu horário, catam há muito tempo ou só quando estão sem serviço de obra, pintura etc.
  • Catadores individuais: catam por si, preferem trabalhar independentes, puxam carrinhos muitas vezes emprestados pelo comprador que é o sucateiro ou deposista.
  • Catadores organizados: em grupos autogestionários onde todos são dono do empreendimento, legalizados ou em fase de legalização como cooperativas, associações, ONGs ou OSCIPs.

O Catador é um sujeito que, historicamente, tira do lixo o seu sustento. Seja através da prática da coleta seletiva junto a alguns parceiros que doam o seu lixo ou, melhor ainda, seus recicláveis selecionados na fonte; seja caçando recicláveis pelas ruas e lixões, sacando os recicláveis do lixo misturado que o gerador não teve a decência de separar e colocou no mesmo saco o que pode e o que não pode ser reaproveitado.
Com esse “trabalho” a companhia de limpeza urbana deixa de pagar inúmeros kilos que seriam coletados e dispostos em aterro ou lixão. Na pior das hipóteses é uma economia. É um serviço a população já que esses materiais coletados pelos catadores vão evitar o consumo de matéria prima virgem – recursos naturais esgotáveis – além da economia com coleta e disposição final.

Dentre os Catadores organizados ou em organização existem os

  • Grupos em organização: com pouca ou nenhuma infra-estrutura, muita necessidade de apoio, e vontade de trabalhar em grupo e se fortalecerem.
  • Catadores organizados autogestionários: grupos que funcionam como cooperativas de fato onde decisões são tomadas de modo democrático, as vendas e os resultados são de domínio de todos graças a transparência das informações que muitas vezes são afixadas na parede - o valor da venda, dos descontos, as atas das reuniões e etc. Não há uma liderança única da qual dependam todas as decisões e todos os associados representam o empreendimento como dono.
  • Redes de cooperativas autogestionárias: A idéia de rede é uma forma de fortalecer os grupos na busca de quantidade, qualidade e freqüência que são algumas das imposições do mercado da reciclagem. Em rede os grupos podem vender por melhores preços por terem juntos maiores quantidades e aqueles que não tem prensa poderem enfardar o material. Em rede os grupos também podem se organizar para otimizar a coleta e realizarem inclusive coleta de outros materiais como óleo de cozinha, alimentos entre outros.

E há também as

  • Coopergatos: Grupos não autogestionários, que tem um dono, onde um manda e todos obedecem e funciona como uma empresa privada só que sem os benefícios sociais que uma empresa privada teria que dar.
  • Cooperativas de Sucateiros: Alguns sucateiros que, nem sempre, mas freqüentemente tem com catadores relações pra lá de exploratórias, percebendo vantagens junto a políticas públicas se regularizam legalmente como cooperativas mas funcionam como empresa privada, sob a fachada do cooperativismo. Infelizmente esse padrão é bastante freqüente.
  • Cooperativas de apoiadores: Grupos de catadores organizados por pessoas que não tem histórico na catação e se auto-declaram catadores (mas tem perfil de apoiador) para exercer uma liderança sem nenhum compromisso com o processo emancipatório dos catadores. Apoiadores só deveriam fazer parte de uma cooperativa de catadores de materiais recicláveis se fosse no conselho consultivo, sem direito a voto e sem direito a renda.

É imperativo que o apoio aos catadores seja compromissado com o protagonismo deles e a construção dos processos emancipatórios desta categoria.
Catadores são vítimas de preconceito por parte da sociedade e constantemente são associados ao problema do lixo podendo ser associados as soluções.

São atores históricos da gestão dos resíduos nas cidades e da cadeia produtiva da reciclagem e merecem políticas públicas que fortaleçam seu perfil empreendedor e ecológico.

O estilo do apoio no Brasil é o do amparo, da tutela simbólica, que vê os atores históricos como incapazes, estilo cesta básica e assistencialismo. Será bom entender o que é apoio dentro de uma premissa emancipatória.


De acordo com o dicionário Aurélio temos 

a.poi.o
s. m. 1. Tudo que serve para amparar, firmar, segurar, sustentar. 2. Mec. e Constr. Base, assento, sapata. 3. Amparo, socorro. 4. Argumento, autoridade, prova, ou qualquer coisa que se autorize, ou se prove. 5. Aprovação, assentimento.

E temos ainda
tu.te.la
s. f. 1. Dir. Encargo legal para proteger uma pessoa ou os bens de um menor ou de um interdito; tutoria. 2. Amparo, proteção. 3. Fam. Sujeição vexatória; dependência.

E ainda
e.man.ci.par
v. 1. Tr. dir. Eximir do poder paternal ou de tutela. 2. Tr. dir. Tornar independente. 3. Pron. Livrar-se do poder paternal ou de tutela. 4. Pron. Tornar-se livre.

 
Para saber o contato de cooperativas de Catadores do Rio de Janeiro clique aqui
 
Para saber o contato de cooperativas de Catadores de todo o Brasil entre em contato com o Movimento Nacional dos Catadores www.MovimentodosCatadores.org.br pelo telefone (11)3399-3475; Ou pelo site www.rotadareciclagem.com.br
 

domingo, 9 de novembro de 2014

Artista transforma lixo em luxo em Niterói

O Centro Cultural Abrigo de Bondes, em Niterói, recebe a partir do dia 9 de outubro a exposição "O Luxo do Lixo", de Cacau Salabert. A mostra fica em cartaz até 29 de novembro, com entrada franca.

Divulgação/ TMN assessoria

Depois de expor três vezes na França, o artista apresenta esculturas, quadros, luminárias feitas de materiais recicláveis. Utilizando somente plástico, alumínio, ferro, papel e componentes eletrônicos o artista transforma completamente que é considerado lixo para alguns, em objetos luxuosos.
Desde sua volta de Paris, o artista começou a criar quadros temáticos, cápsulas de champanhe transformados em "pequenas cadeiras de pensamento", com motor de liquidificador ele faz apropriações e o transforma em luminária e de outros materiais surgem caixas, animais, quadros e espelhos se fundem em um festival de formas, mas todos com a mesma característica: o sentido da transformação chamada descartáveis​​. Um outro olhar sobre o meio ambiente.

O que: O Luxo do Lixo
Onde:
Centro Cultural Abrigo dos Bondes
Rua Marquês de Paraná, 100
Centro
Niterói
Ver no mapa

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

EcoD Básico: Lixão, Aterro controlado e Aterro sanitário


Portal EcoD – www.ecod.org.br

Para onde vai o seu lixo depois que você o joga na lixeira? Pouca gente pensa sobre o assunto, mas tudo que consumimos, desde uma garrafa de água até o pneu do carro, vira lixo em algum momento e segue por um destino que muitas vezes não é sustentável.
Somente no Brasil são produzidos cerca de 240 mil toneladas de lixo todos os dias, sendo que apenas 2% de tudo isso segue para reciclagem. O resultado é uma enorme quantidade de resíduos que precisa de uma nova destinação após sua vida útil.
Entre todos os rumos possíveis, três se destacam no país: os lixões, os aterros controlados e os aterros sanitários. As diferenças entre cada um deles você confere logo abaixo:
Lixões

Lixão é uma área de disposição final de resíduos sólidos sem nenhuma preparação anterior do solo. Institucionalizados ou clandestinos, esses locais recebem volumes diários de lixo que são amontoados um por cima do outro. População civil e, em alguns casos, a própria prefeitura, são responsáveis por jogar o lixo coletado no local.
Diversos problemas tornam o lixão a solução menos indicada quando o assunto é o descarte do lixo. Por não ter nenhum tipo de proteção, esses locais se tornam vulneráveis à poluição causada pela decomposição do lixo, tanto no solo, quanto nos lençóis freáticos e no ar.
Isso ocorre porque a maior parte do material despejado entra em processo de decomposição, produzindo o chorume e o gás metano. O chorume escorre com o auxílio da chuva e penetra na terra, chegando aos lençóis freáticos localizados abaixo do lixão e contaminando a água.
Já o biogás resultante da decomposição do lixo e formado por gases como metano, gás carbônico (CO2) e vapor d’água, é liberado diretamente para a atmosfera – sem antes passar por nenhum tipo de tratamento.
Além dos impactos ambientais, o acumulo de lixo atrai animais transmissores de doenças, como moscas e ratos. O local ainda é tido como fonte de renda para a população carente, que recolhe o material reciclável e, em alguns casos, chega a se alimentar dos restos encontrados no lixo.
Aterros controlados

Os aterros controlados são locais intermediários entre o lixão e o aterro sanitário. Trata-se geralmente de antigas células que foram remediadas e passaram a reduzir os impactos ambientais e a gerenciar o recebimento de novos resíduos.
Esses locais recebem cobertura de argila e grama e fazem a captação dos gases e do chorume. O biogás é capturado e queimado e parte do chorume é recolhida para a superfície. Os aterros controlados são cobertos com terra ou saibro diariamente, fazendo com que o lixo não fique exposto e não atraia animais.
Aterros sanitários

Os aterros sanitários são espaços preparados para a deposição final de resíduos sólidos gerados pela atividade humana. Esses locais são planejados para captar e tratar os gases e líquidos resultantes do processo de decomposição, protegendo o solo, os lençóis freáticos e o ar.
As células são impermeabilizadas com mantas de PVC e o chorume é drenado e depositado em um poço, para tratamento futuro. O biogás é drenado e pode ser queimado em flaires ou aproveitado para eletricidade. Por ser coberto por terra diariamente não há proliferação de pragas urbanas.

Fonte: http://www.rumosustentavel.com.br/ecod-basico-lixao-aterro-controlado-e-aterro-sanitario/

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

LIXO – este problema tem solução



............Nos últimos anos registrou-se um crescimento acelerado da população urbana no Brasil. Com o Estado do Pará não foi diferente. Em função dos avanços tecnológicos, esta população vem apresentando mudanças marcantes nos hábitos de consumo. Com isso, o lixo produzido é cada vez maior e de qualidade diversificada, contribuindo para uma série de problemas de ordem sanitária, ambiental, econômica e social.
............Por causa de fatores diversos, como a escassez de recursos financeiros, a falta de apoio técnico e a falta de consciência em relação aos prejuízos que o lixo acarreta à saúde da população e ao meio ambiente, os municípios paraenses enfrentam sérias dificuldades com a coleta e destinação de seu lixo.
............De maneira diferente, o problema do lixo incomoda hoje as diversas cidades do Estado, afligindo mais fortemente algumas prefeituras do que outras. Isto não significa, porém, que os problemas sejam menores ou de mais fácil solução nos locais onde parecem incomodar menos. Problemas atualmente invisíveis podem, em pouco tempo, causar grandes dificuldades.
............Não há qualquer vantagem em deixar a solução para depois. Um município pode, por exemplo, não estar registrando ainda conseqüências graves da poluição ambiental sobre a saúde da população. Mas elas, certamente, podem aparecer se o problema for negligenciado. O rigor das leis e as pressões populares podem ainda não ter atingido a administração. Mas, até quando?
............Apesar de tudo, a situação pode ser enfrentada com calma e tranqüilidade. As soluções para o problema podem estar em propostas simples e específicas para cada região. Juntos, Governo estadual, Prefeituras e a comunidade podem chegar às medidas que vão proporcionar melhor qualidade de vida a toda população paraense.

O que é o lixo?

............É todo e qualquer material proveniente das atividades humanas que não serve mais e, por isso, é jogado fora. Pode ser também gerado pela natureza. O lixo é produzido tanto em aglomerações urbanas quanto em zonas rurais.

Composição do lixo

............A composição do lixo é bastante diversificada, sendo definida de acordo com as características de cada município ou comunidade onde é produzido. A localização da cidade, suas atividades industriais, agrícolas e comerciais, além das condições sócio-econômicas da população são alguns dos fatores que determinam as características do lixo de um município.
............Lixo orgânico: É aquele proveniente de quaisquer seres vivos, sejam animais ou vegetais. São facilmente decompostas pela natureza e podem ser reaproveitadas pelo homem. Exemplos: restos de comida, restos de frutas e verduras (caroço de açaí, casca de coco, etc), restos de plantas (folhas, galhos, pedaços de madeira, serragem, etc) e restos de animais.
............Lixo inorgânico: É aquele que resulta de produtos industrializados. São de difícil decompo- sição pela natureza, mas podem ser reciclados pelo homem. Exemplos: vidros, plásticos, papéis, metais, entulhos de construções, restos de tecidos (panos e trapos), materiais inertes (terra, areia, etc).

Classificação do lixo

  • O lixo pode ser classificado em diversas categorias, de acordo com sua origem.
  • – Lixo domiciliar: É todo lixo produzido nas residências.
    – Lixo público: É o lixo proveniente de logradouros públicos, como ruas, praças e feiras.
    – Lixo de serviços de saúde: É aquele produzido por hospitais, unidades de saúde. Laboratório e farmácias.
    – Lixo comercial: É aquele produzido nos estabelecimentos comerciais.
    – Lixo industrial: É aquele produzido nas indústrias, como restos de matérias-primas e de sub- produtos.

    Formas prejudiciais de dispor o lixo

  • Depósito a céu aberto, o lixão
  • ............Caracterizado pela simples descarga do lixo sobre o solo, sem medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública, o lixão é uma forma inadequada de disposição final do lixo. Tecnicamente, é o mesmo que depósito de resíduos a céu aberto.
    ............Os lixões são responsáveis por alguns problemas urbanos, como a proliferação de animais transmissores de doenças e o surgimento de catadores de lixo, que muitas vezes moram no local e até mesmo se alimentam de restos de comida.
    ............Quando o lixo é despejado no chão, sem qualquer critério e a céu aberto, torna-se uma série ameaça ao meio ambiente porque provoca alterações nas características do solo. Através do chorume, que é um líquido de cor preta, malcheiroso e de elevado grau poluidor, produzido pela decomposição de matéria orgânica contida no lixo, pode ocorrer poluição dos mananciais subterrâneos de água e conseqüentemente dos superficiais.
    ............Partículas de lixo também são lançadas para a atmosfera, produzindo efeitos danosos ao homem e ao meio ambiente. A poluição do ar causa doenças respiratórias e de pele, inclusive o câncer, que em alguns casos pode ser irreversível.
    ............O lixo acumulado propicia o surgimento de animais transmissores de doença porque oferece, ao mesmo tempo, disponibilidade de água, alimento e abrigo para eles. São seres que podem ser classificados em: macrovetores (ratos, baratas, moscas e animais de porte maior como cães, aves, suínos e eqüinos) e microvetores (vermes, bactérias e fungos).
    ............Estes vetores, ou seja, transmissores de doenças, são responsáveis pelo surgimento de epidemias intestinais, além de outras enfermidades lesivas e até mortais, como a cólera, o tifo, a leptospirose, a pólio, etc.

  • Depósitos em rios, igarapés, córregos e praias
  • ............Quando lançado em córregos, igarapés, rios e praias, o lixo provoca a poluição das águas e leva ao acúmulo de sedimentos nos leitos desses ecossistemas. Além da sujeira, provoca o aumento da temperatura da água, provocando a diminuição da quantidade de oxigênio dissolvido nela. A conseqüência é que fica cada vez mais difícil a vida dos seres que nela habitam, como plantas e peixes. O ciclo vital das espécies é quebrado, prejudicando as comunidades que sobrevivem da pesca.
    ............Tanto nesses locais quanto nos lixões, verifica-se o total descontrole quanto aos tipos de lixo despejados. Há até mesmo lixo originado dos serviços de saúde e indústrias, prejudicando ainda mais o solo, a água e o meio ambiente, porque contém substâncias tóxicas e perigosas.

  • Conseqüências da má disposição do lixo

  • Nas cidades e beiras de estradas:

    - proliferação de vetores de doenças;
    - poluição ambiental e visual, comprometenndo a beleza da cidade;
    - aumento do custo para limpeza e manutençção;
    - obstáculos para o trânsito, provocando aacidentes;
    - perigo para os carros e pedestres com a presença de objetos cortantes.


  • Nas praias, rios, igarapés e córregos:

    - poluição da areia, prejudicando principaalmente as crianças;
    - poluição da água;
    - perigo de acidentes com materiais cortanntes para os freqüentadores;
    - morte da flora e da fauna aquáticas (peiixes e vegetação);
    - prejuízo ao lazer, à pessoa, à alimentaçção e à paisagem natural;
    - comprometimento de sua utilização pelas gerações futuras, etc.

    Alternativas para o tratamento do lixo

    ............Independentemente de suas dimensões ou disponibilidade de recursos, cada município paraense enfrenta hoje o desafio de encontrar soluções para a questão do lixo urbano.
    ............Mas o fato é que não existem soluções prontas ou fórmulas mágicas. O que existe é um conjunto de alternativas a ser analisado e adequado à realidade dos municípios. Cada um deve buscar a solução sob medida para seus problemas.
    ............Esse conjunto de alternativas requer a participação não só do poder público, mas também da população. Começa com o acondicionamento do lixo, passando pela coleta, tratamento e disposição final do mesmo.

  • Serviço de limpeza urbana:
  • ............O lixo geralmente é tratado em locais afastados do seu posto de geração. Para chegar nessas áreas, depende da população e do Poder Público Municipal. A população faz a coleta interna, o acondicionamento e armazenamento dentro das residências, estabelecimentos comerciais, fábricas, etc. A Prefeitura responde pelo chamado serviço de limpeza urbana: a coleta, o transporte, a disposição final e o tratamento desses resíduos.
    ............Um sistema urbano de limpeza sanitariamente adequado e ambientalmente seguro não polui o ar, a água e o solo, nem contamina o meio ambiente. A cidade que dispõe de serviço de limpeza adequado aumenta a qualidade de vida da sua população, através da redução da mortalidade causada por doenças provocadas pelo lixo. Além disso, ganha um aspecto mais bonito.

  • Acondicionamento:
  • ............A limpeza da cidade começa dentro de casa, ou seja, no local onde o lixo é gerado. Por isso, a população deve ser conscientizada da necessidade de acondicionar o lixo em depósitos apropriados para evitar o derramamento e facilitar o seu manuseio na hora da coleta.
    ............O tipo de depósito para acondicionamento do lixo urbano deverá ser definido levando-se em consideração as características do lixo, o volume, a freqüência com que é feita a coleta, o tipo de edificação e o preço do recipiente.


  • Existem dois tipos de recipientes:

    - Recipientes com retorno: aqueless devolvidos após o esvaziamento: devem ser de ferro ou plástico duro, ter tampas e alças e tamanho adequado para facilitar a coleta;
    - Recipientes sem retorno: colocaddos no veículo coletor juntamente com o lixo, sendo os sacos plásticos os mais utilizados.

  • Coleta:
  • ............A coleta do lixo e seu transporte para as áreas de tratamento ou destinação final impedem o desenvolvimento de transmissores de doenças que encontram alimento e abrigo n lixo. A Prefeitura deve atender indistintamente toda a população do Município, assim como fazer a coleta regularmente.
    ............Quando o lixo não é recolhido, a cidade fica com mau aspecto e mau cheiro. Isso costuma incomodar mais diretamente a população, que passa a criticar a administração municipal. As possibilidades de desgaste político são grandes, sendo este mais um motivo para que as prefeituras promovam investimentos no setor de coleta de lixo.


  • Tipos de lixo coletados pela Prefeitura:

    - domiciliar;
    - de estabelecimentos comerciais;
    - de feiras e mercados;
    - industrial, quando não tóxico ou perigosso;
    - de unidades de saúde;
    - animais mortos de pequeno porte;
    - folhas e podas de árvores;
    - entulhos de construções.

  • Transporte:
  • ............No transporte do lixo podem ser utilizados diferentes tipos de veículos, desde os de tração animal até caminhões dotados de carrocerias compactadoras. A escolha depende da natureza e quantidade do lixo, dos custos de operação e manutenção do veículo, da urbanização e pavimento das ruas, das condições de tráfego e, principalmente, da adequação à realidade local.


  • Tipos de veículos coletores:

    - Caminhão com carroceria compactadora: pode ser utilizado em cidades de grande e médio porte que possuem alta ou média densidade populacional e vias com condições favoráveis de tráfego;
    - Caminhão com carroceria basculante: pode ser utilizado em cidades de médio e pequeno porte, onde a população não é concentrada.
    - Carreta rebocada com microtrator:: pode ser utilizada em pequenas comunidades com áreas de difícil acesso e poucos recursos financeiros;
    - Carroça rebocada por motocicleta:: pode ser utilizada em pequenas comunidades com vias de estivas e poucos recursos financeiros;
    - Carroça com tração animal: pode ser utilizada em comunidades rurais com áreas inacessíveis a outros equipamentos e poucos recursos financeiros;
    - Canoa: pode ser utilizada em ciddades ribeirinhas sem acesso a nenhum outro tipo de veículo.

    ............É bom lembrar que existem cidades com áreas de características diferentes, justificando o uso de diversos tipos de equipamentos para a coleta do lixo.

  • Limpeza dos logradouros:
  • ............O serviço de limpeza de logradouros é uma atividade importante para o Município, pois mantém a cidade limpa, minimiza os riscos à saúde pública e previne inundações de ruas pelo entupimento de galerias e ralos.


  • Este serviço compreende:

    - Varrição e coleta de lixo de ruas, praçças e parques;
    - Capinagem e roçagem;
    - Remoção de animais mortos;
    - Remoção de podas de árvores;
    - Remoção de entulhos e materiais volumossos;
    - Limpeza de praias;
    - Limpeza de feiras e mercados;
    - Limpeza de bocas de lobo, galerias e cóórregos;
    - Limpeza de monumentos;
    - Limpeza de valas e canais;
    - Combate a transmissores de doenças.

  • Tratamento:
  • ............Após a coleta, o correto tratamento do lixo previne e impede o desenvolvimento de seres vivos transmissores de doenças, como ratos, baratas, moscas e mosquitos, que indiretamente poluem e contaminam o meio ambiente e o próprio homem.
    ............Existem várias formas de tratar o lixo. Pode ser o aterro sanitário, a reciclagem, a compostagem ou a incineração. O melhor sistema para cada município deve ser avaliado de acordo com as condições financeiras da Prefeitura e as características do lixo local.

    Formas de tratar o lixo

  • Aterro sanitário:
  • ............Aterro sanitário é a forma de disposição final do lixo urbano no solo, seguindo normas específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e minimizando os impactos ambientais.
    ............O lixo é disposto em camadas cobertas com material inerte, geralmente solo. Além disso são construídos sistemas de drenagem e tratamento para os gases e os líquidos (chorume) produzidos pelo lixo.
    ............O aterro sanitário evita riscos ambientais e possibilita o reaproveitamento da área no futuro. Para a maioria dos municípios paraenses, apresenta-se como uma interessante opção de destinação final do lixo.
    ............Qualquer processo de tratamento do lixo, entretanto, necessita de um local para disposição final dos refugos e sobras do mesmo, um local onde possam ser descartados de forma apropriada.

  • Reciclagem:
  • ............Reciclagem é o resultado de uma série de atividades através das quais materiais que se tornariam lixo, ou estão no lixo, são reaproveitados como matéria-prima na manufatura de bens.
    ............A reciclagem não deve ser vista como a principal solução para o lixo, mas como umas das alternativas para o problema, pois nem todos os materiais que compõem o lixo podem ser reciclados. São recicláveis alguns tipos de papel, o plástico, o vidro, o metal, o entulho, etc.
    ............Antes de decidir pela implantação de um programa de reciclagem, a Prefeitura deve verificar se existe no Município, ou nas proximidades, formas de escoamento desses materiais (venda ou doação). A análise do mercado indicará quais produtos do lixo podem ser reciclados. De nada adianta reciclar, se não houver demanda para o reaproveitamento dos materiais.


  • Vantagens da reciclagem:

    - Diminuição da quantidade de lixo a ser aterrado;
    - Aumento da vida útil do aterro;
    - Preservação dos recursos naturais;
    - Economia de energia;
    - Diminuição da poluição do ar e das águaas;
    - Geração de empregos, através da criaçãoo de indústrias recicladoras.

  • Compostagem:
  • ............Compostagem é o processo biológico de decomposição da matéria orgânica contida em restos de origem animal ou vegetal (sobras de comidas, frutas, verduras, etc). Este processo tem como resultado final um composto orgânico que pode ser utilizado como recondicionante do solo, adubo na agricultura e jardinagem, sem ocasionar riscos ao meio ambiente. A compostagem é importante porque em alguns municípios a matéria orgânica contida no lixo chega a ser superior a 60%.
    ............As usinas de compostagem podem ser também artesanais, sendo indicadas para o tratamento do lixo nos municípios paraenses, principalmente quando conjugadas com a coleta seletiva.


  • Vantagens da compostagem:

    - Economia do aterro;
    - Aproveitamento agrícola da matéria orgâânica;
    - processo ambientalmente seguro;
    - Eliminação de patógenos.

  • Incineração:
  • ............Incineração é o processo de queima controlada do lixo em fornos projetados para transformá-lo em material inerte. Este tipo de tratamento é recomendado, sobretudo, para o lixo perigoso, como o produzido pelos serviços de saúde.


  • Vantagens da incineração:

    - Redução drástica do volume a ser aterraado;
    - Redução do impacto ambiental;
    - Eliminação de agentes patogênicos e subbstâncias tóxicas;
    - Produção de energia.


  • Desvantagens da incineração:

    - Alto custo de instalação e manutenção;
    - Exigência de mão-de-obra qualificada.

    Educação ambiental

    ............A educação ambiental é um processo permanente no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos, valores, habilidades, experiências e determinação, tornando-se aptos a agir, individual e coletivamente, e resolver problemas ambientais presentes e futuros.


  • Entre as características fundamentais da educação ambiental, destacam-se:

    - o enfoque orientado à solução de probleemas concretos da comunidade;
    - o enfoque interdisciplinar dos problemaas do meio ambiente;
    - a participação da comunidade;
    - o caráter permanente, orientado para o futuro.

    ............Como a participação da população é ponto fundamental para o sucesso de qualquer programa de combate ao lixo a ser implantado pela Prefeitura, devem ser feitas campanhas de educação ambiental, desencadeadas em parceria com as instituições locais: escolas, igrejas, centros comunitários, etc.

  • Como colaborar:

  • Veja como a população pode contribuir para que o problema do lixo seja resolvido ou minimizado em seu município:

    - Reduzindo a quantidade de lixo, reaprovveitando o que for possível;
    - Separando o lixo que pode ser recicladoo através da coleta seletiva;
    - Cumprindo os dias e horários da coleta domiciliar;
    - Não jogando lixo nas ruas, praças, jarddins, etc.
    - Não jogando lixo nas margens ou leito ddos rios, lagos e igarapés;
    - Cobrando ações da prefeitura, mas fazenndo também a sua parte.

  • Campanha educativa:
  • ............Para que a população participe ativamente das ações propostas para minimizar os problemas gerados pelo lixo, é imprescindível que a prefeitura e entidades envolvidas façam uma boa divulgação. Devem ser usados os meios de comunicação locais, como jornais, rádios, carros de som, faixas e outros mecanismos para difusão de informações e planos. A campanha educativa pode ser completada com a promoção de seminários, conferências e palestras.
    ............Esclarecida e sensibilizada, a população se tornará a principal aliada da prefeitura na implantação do programa elaborado. Desta forma, a gestão ambiental passa a ser, de fato, um compromisso de toda a coletividade.

    Por onde começar

    ............Para implantar um programa que minimize os impactos negativos causados pelo lixo urbano, a prefeitura deve, primeiramente, conhecer a extensão do problema e caracterizar corretamente o lixo do município. O primeiro passo é fazer, portanto, uma pesquisa detalhada sobre o mesmo.

  • Proposta de roteiro:
  • - Determinar a quantidade de lixo gerado ppor habitante num período de tempo especificado (taxa de geração por habitantes);
    - Determinar as porcentagens dos vários coomponentes do lixo, como papel, vidro, matéria orgânica, etc (composição física);
    - Determinar a quantidade de matéria orgânnica do lixo (teor de matéria orgânica);
    - Efetuar o balanço de massa contida no liixo;
    - Determinar a quantidade de água contida na massa do lixo;
    - Determinar o peso específico;
    - Determinar a composição química do lixo;;
    - Verificar a existência do terreno disponnível para servir como área de destino final;
    - Realizar pesquisa de mercado, no próprioo município ou nos municípios próximos, quanto ao consumo de materiais reciclados;
    - Definir a quantidade de recursos financeeiros que a prefeitura poderá dispor para implantação do projeto;
    - Levantar o tipo de serviço que atualmentte é feito no município.

    ............Depois de concluído o levantamento, deve ser feito um exame cauteloso da informações coletadas. Com a ajuda de técnicos da SECTAM ou técnicos contratados para este fim, a prefeitura deve avaliar, dentro do conjunto das alternativas, qual é a proposta que melhor se aplica à realidade do município. Só assim poderá montar a solução sob medida para o caso de determinada cidade.

    C o n c l u s ã o

    ............Encontrar soluções para os problemas gerados pelo lixo urbano constitui-se hoje num grande desafio. Os efeitos do acúmulo de lixo para o meio ambiente e a saúde da população têm levado a situações muitas vezes irreversíveis, através da contaminação ambiental e do alto índice de mortalidade infantil registrado nos municípios paraenses.
    ............Cada município deve buscar o modelo de gerenciamento mais adequado às suas características, sempre pensando de forma integrada. As soluções não podem ser tomadas isoladamente, mas como um conjunto de alternativas que, somadas, resultarão na superação do problema.
    ............Gerenciar o lixo de forma integrada significa limpar o município com um sistema de coleta e transporte adequados, tratar o lixo utilizando as tecnologias mais compatíveis com a realidade local e dar-lhe um destino final ambientalmente seguro. Não se pode esquecer também a importância da educação ambiental.
    ............Se não houver a participação efetiva da população neste processo, qualquer alternativa se tornará inviável, mesmo as melhores do ponto de vista técnico e financeiro. De nada adiante, por exemplo, utilizar o melhor sistema de coleta e transporte do lixo, se a população não respeitar os horários e não acondicioná-lo de forma correta.
    ............Limpar a cidade é obrigação da prefeitura, mas mantê-la limpa só será possível com a colaboração da comunidade.

    Fonte: Manual da SECTAM, série Saneamento ambiental nº 1,
    sob o título: Lixo – este problema tem solução – Belém, 1997.

    sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

    quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

    Baixe aqui o Guia Pedagógico do Lixo



    Livro/PDF: Clique
     
                                                         A Secretaria de Estado do Meio Ambiente publicou, pro meio da Coordenadoria de Educação Ambiental (CEA), 16 cadernos de educação ambiental para informar a população sobre a agenda ambiental. A sociedade brasileira, crescentemente preocupada com as questões ecológicas, merece e busca mais
     
    Informações. A construção do amanhã exige novas atitudes da cidadania, embasadas nos ensinamentos da ecologia e do desenvolvimento sustentável. Os cadernos de educação ambiental é uma proposta educadora, uma ferramenta facilitadora, nessa difícil caminhada rumo à sociedade sustentável.
     
     

    sexta-feira, 5 de julho de 2013

    EnerSolar+Brasil 2013 promove oportunidades na indústria solar

    A EnerSolar + Brasil | Feira Internacional de Tecnologias para Energia Solar, evento dedicado à energia solar e térmica, acontece de 17 a 19 de julho de 2013, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. Organizado pelo Grupo Cipa Fiera Milano e Artenergy Publishing, o evento promove as oportunidades na indústria solar da América do Sul, onde 250 expositores nacionais e internacionais, de países como Itália, Estados Unidos, Alemanha, Espanha e China, dentre outros, apresentam suas tecnologias, serviços e soluções para aplicações industriais e civis, nos segmentos de energia térmica solar e fotovoltaica, inversores e outras energias renováveis. Simultaneamente, acontece a feira internacional GREENERGY, especializada em energias renováveis, biocombustíveis, biogás, biomassa e a EÓLICA BRASIL SMALL WIND.
    As alternativas e caminhos para o uso das energias renováveis serão debatidas durante o III Congresso ECOENERGY, que contará com a presença de autoridades nacionais e internacionais dos mais diversos setores de energias renováveis. As principais entidades do setor já confirmaram presença, tais como: MME, EPE, SECRETARIA DE ENERGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO, ANEEL, COGEN, FIESP, CIESP, CENBIO, ABEÓLICA, ABENS, CAIXA ECONOMICA FEDERAL, BNDES, BLOOMBERG, INSTITUTO IDEAL, ABEAMA, ABRAGEL, ITALCAM, DASOL /ABRAVA. Para este ano, os organizadores esperam receber 8.000 mil visitantes formados por: engenheiros; arquitetos; empresários dos setores de energia, construção civil, hotelaria; produtores rurais; presidentes e diretores das principais entidades dos setores de energia e meio ambiente; para conhecer as últimas novidades em energias limpas e renováveis.
     Serviço
    EnerSolar + Brasil: II Feira Internacional de Tecnologias para Energia Solar
    Quando: 17 a 19 de julho de 2013, das 13h às 20h
    Local: Centro de Exposições Imigrantes – Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5 – São Paulo – SP – Brasil
    ENTRADA GRATUITA – profissionais do setor
    Eventos Simultâneos:
    Ecoenergy |Congresso Internacional de Tecnologias Limpas e Renováveis para a Geração de Energia
    Greenergy Expo Brasil: Feira da Indústria de Energias Renováveis no Brasil
    Eólica Brasil Small Wind
    - Transporte Gratuito – Estação do Metrô Jabaquara – saída de Vans na Rua Nelson Fernandes, 400

    sexta-feira, 28 de junho de 2013

    Gargalos impedem avanço da reciclagem do lixo no Brasil

    Com programas de coleta seletiva pouco organizados, a indústria recicladora funciona, em média, com capacidade ociosa entre 20% e 30%.



    A coleta seletiva ainda enfrenta gargalos para se tornar abrangente no País, como determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que entrará em vigor na segunda metade do ano que vem. A avaliação foi feita por André Vilhena, diretor do Compromisso Empresarial pela Reciclagem (Cempre), fórum que reúne 38 grandes empresas nacionais e multinacionais desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92.
    A falta de capacitação é mais grave no interior, mas também está longe do ideal nas grandes cidades: "Vamos pegar os exemplos das maiores cidades do Brasil: os programas tanto de São Paulo quanto do Rio de Janeiro são muito pouco abrangentes, precisam passar por uma reformulação e ampliação significativas. Sem dúvida alguma, no curto espaço de tempo, precisamos melhorar muito os programas de coleta seletiva nas cidades brasileiras, especialmente nas maiores".Vilhena destaca que um dos entraves para o avanço da coleta seletiva no Brasil é a falta de qualificação dos gestores locais responsáveis por elaborar os planos municipais de resíduos sólidos: "O envolvimento das prefeituras é o ponto de partida. Temos hoje poucos municípios fazendo a coleta seletiva e, principalmente, fazendo a coleta seletiva de forma abrangente. Para mudar isso, os gestores públicos necessitam de treinamento para que possam efetivamente implantar os programas em seus municípios".
    Com programas de coleta seletiva pouco organizados, a indústria recicladora padece de pouca oferta de matéria-prima e, segundo estimativas do Cempre, funciona, em média, com capacidade ociosa entre 20% e 30%. Levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2010 já mostrava que o Brasil deixava de movimentar R$ 8 bilhões anualmente por não aproveitar o potencial do setor. De acordo com o Cempre, apenas 14% das cidades brasileiras têm coleta seletiva, sendo 86% delas no Sudeste.
    Outro entrave para a reciclagem no Brasil, segundo Vilhena, é o peso tributário sobre o setor, que se beneficiaria de mudanças na cobrança de impostos: "De cara, deveria ser dispensado o recolhimento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) na venda de sucatas e materiais recicláveis, além de produtos com 100% de material reciclado. Poderia ser feita, a partir disso, uma redução gradativa do imposto conforme o percentual de material reciclado na composição", defende ele, que acredita haver bitributação no caso do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI): "em alguns setores, o produto já teve a cobrança do IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados]. quando foi descartado, e tem o desconto de novo durante a reciclagem".
    Edson Freitas, da organização não governamental EccoVida, concorda com as duas análises: "muita gente prefere a informalidade por causa dos impostos. Pago uns 30% de imposto sobre minhas garrafas e ainda tenho que pagar para destinar o lixo não aproveitável. Um dos projetos que desenvolvo, de produção de telhas a partir de pet [politereftalato de etileno, utilizado na fabricação de embalagens e outros produtos], eu trouxe de Manaus, porque lá não era viável por falta de plástico selecionado".
    Em seu galpão, o presidente da ONG conta que processa mil toneladas de material reciclado por mês, mas a falta de oferta o impede de vender o dobro disso de matéria-prima para fábricas como a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), que usa suas pets na produção de garrafas 100% recicladas, que corresponderam a 28% da produção em 2012 e devem chegar a 40% em 2013. No ano passado, a companhia reutilizou 60 milhões de pets na produção, número que deve saltar para 130 milhões neste ano, com a autorização da Anvisa para o uso de material reciclável em mais três fábricas da empresa, somando seis homologadas.
    A produção de pet a partir de material reciclável economiza 70% de energia e reduz em 70% a emissão de gás carbônico na atmosfera. Além das pets, a Ambev também produz, em sua fábrica de vidro, sete em cada dez garrafas desse material inteiramente com cacos reciclados, sendo 88% deles provenientes da própria cervejaria e 12% de cooperativas.
    O problema da falta de material de que Freitas se queixa, no entanto, não é causado só pela escassez de planos municipais. Para Vilhena, é preciso maior envolvimento da população: "Temos que melhorar o engajamento do cidadão brasileiro nos programas de coleta seletiva, que ainda estão aquém do desejado".
    Edson Freitas destaca que é preciso uma mudança de pensamento em relação aos materiais recicláveis: "nem chamo de lixo uma pet ou uma embalagem de papelão, porque não são lixo. Têm o mesmo valor que tinham quando o produto estava armazenado dentro delas. É só limpar que continua a ser material com valor comercial e utilidade".
     

    quinta-feira, 6 de junho de 2013

    Rio quer elevar de 1% para 25% coleta seletiva do lixo até 2016!


    Com apenas 1% de lixo recolhido em coleta seletiva em 2012, o município do Rio quer aumentar esse percentual para 25% até 2016 e começará neste ano a pôr em prática as medidas que buscarão esse objetivo. Em cerca de três meses, a Central de Triagem de Irajá será inaugurada, dando início ao projeto orçado em R$ 50 milhões, anunciado em 2011. O projeto recebeu investimentos de R$ 22 milhões, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e de R$ 28 milhões da Companhia Municipal de Limpeza Urbana.
    “Ela vai atender aos bairros de Irajá, Marechal Hermes e Deodoro”, adiantou o coordenador de Projetos de Coleta Seletiva da Comlurb, Jorge Otero. Segundo ele, nove caminhões de lixo vão circular nos bairros a partir da inauguração e apenas mulheres trabalharão na coleta seletiva.
    As garis passaram por uma capacitação de 15 dias e serão responsáveis também por advertir as residências que não aderirem ao novo modo de coleta. “Na primeira vez, os moradores serão avisados. Na segunda, advertidos. Se houver terceira, haverá multa”, explica Otero. Ele diz que o valor da punição ainda não está definido.
    As garis do projeto foram selecionadas no banco de classificados do último concurso e vão iniciar o trabalho no novo modelo. Um detalhe diferente na coleta seletiva será o uniforme: em vez do tradicional laranja, elas vestirão camisas verdes.
    A Central de Triagem de Irajá será a primeira das seis que funcionarão na cidade. Ainda neste ano, deve ser inaugurada a da Central do Brasil, no bairro da Gamboa, que atenderá ao centro e à zona sul. Na zona norte, haverá uma central na Penha, e mais três serão construídas na zona oeste: em Bangu, Campo Grande e Vargem Grande.
    Para a coleta, não será necessário separar os diferentes tipos de material reciclável. Os garis recolherão o “lixo molhado” e o “seco” em dias alternados. O lixo molhado inclui os materiais orgânicos e os papéis de banheiro e cozinha, já o seco é todo material reciclável: papel, plástico, metal, vidro, isopor e outros.
    Na central de Irajá, 200 catadores de cooperativas trabalharão sem precisar de atravessadores para vender o que selecionarem, e outros 300 devem ser empregados pela unidade Central do Brasil.
    De acordo com Otero, a coleta seletiva é realizada atualmente em 44 bairros da cidade, mas sem atingi-los em sua totalidade. O coordenador da Comlurb assegura que, ainda neste ano, esses locais terão a coleta seletiva em todas as ruas e casas.
    Fonte: Agência Brasil
    Veja a matéria no RJTV de 05/06/13;

    quarta-feira, 5 de junho de 2013

    Seguimos Unidos no dia do Meio Ambiente!





    Hoje, no dia do Meio Ambiente celebramos a participação da Vamos Unir o Mundo e da CCOPRJ na V Semana do Meio Ambiente do Tribunal Regional Federal da 2ª região. Foi um prazer participar de uma iniciativa tão bacana.
    Estamos dando os primeiros passos e o poder público começa a entender a importância da ecologia; e de ações como a coleta seletiva, palestras educativas e a difusão de boas praticas no dia a dia que cuidam o meio ambiente.
    Estamos agradecidos em poder ter participado da V Semana do Meio Ambiente do Tribunal Regional Federal da 2ª região e estamos abertos a convites de outras entidades e ONGs que desejem expandir o conhecimento sobre a preservação e a educação ambiental.

    Fica a foto do nosso querido Palestrante Hugo Camarate!

     Vamos Unir o Mundo e a CCOPRJ a favor da ecologia!

    sexta-feira, 10 de maio de 2013

    Catadores mineiros marcham contra incineração de lixo

    Colaboradores: fotos de Gilberto Warley Chagas/MNCR

    Governo estadual quer contratar PPP para queimar os resíduos
    Catadores mineiros marcham contra incineração de lixo
    Chegada dos catadores na Assembleia Legislativa (Foto: Gilberto Warley/MNCR)
    A capital mineira teve uma manhã diferente no último dia 6 de maio. As cores das bandeiras, camisetas e balões de ar faziam contraste com o triste cinza das ruas e do trânsito habitual. Faixas identificavam o motivo de cerca de duas mil pessoas estarem nas ruas naquele dia. “Marcha pela coleta seletiva com inclusão dos catadores”, “não à incineração” e “Deus recicla, o diabo incinera” eram os principais dizeres estampados pelos manifestantes majoritariamente catadores de materiais recicláveis de todas as regiões do estado de Minas Gerais.
    A marcha iniciada no Centro de Direitos Humanos da População em Situação de Rua e dos Catadores tinha como destino a Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais onde aconteceria uma Audiência Pública sobre Parceria Público-Privada (PPP) que destina a gestão dos resíduos sólidos à iniciativa privada. A proposta é polêmica porque deixa em aberto para que as empresas escolham qual tecnologia usar na destinação final dos resíduos sólidos. A tendência é que elas optem pela incineração dos resíduos por ser mais lucrativa, uma vez que quanto menos resíduos elas dispõem em aterros sanitários, maior é o pagamento efetuado pelo poder público.
    O temor dos catadores é que a PPP ameace a política de incentivo à coleta seletiva solidária feita pelo trabalho das cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis. A incineração de resíduos é uma tecnologia que compete com a reciclagem, pois necessita da queima de resíduos com maior poder calorífico (papel e plástico) para conseguir gerar energia sem a necessidade de adição de combustível. No entanto, há também uma consciência do risco ambiental e à saúde humana acarretado pela adoção da incineração, seja pela necessidade de maior extração de matérias-primas virgens, seja pela emissão de gases potencialmente cancerígenos, como as dioxinas e furanos.
    Na Assembleia Legislativa, especialistas da área de resíduos, catadores e promotores públicos confrontaram-se com os representantes do governo estadual em relação aos riscos da incineração ser adotada no estado. Ao final dos debates, a Secretaria de Estado de Gestão Metropolitana se comprometeu a adotar medidas que impeçam a adoção da incineração como tecnologia de destinação final dos resíduos. Outra conquista foi a de que será apresentado Projeto de Lei proibindo a incineração como destinação final de resíduos sólidos em toda Minas Gerais.



    sexta-feira, 5 de abril de 2013

    “Brasil é líder mundial em energia verde”

    por Carla Festucci*
    Na matriz energética mundial, o uso do Petróleo é predominante. No Brasil não é diferente, mas o país é o que tem a distribuição energética mais verde do mundo, segundo Marcos Silveira Bukeridge, professor do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da USP. O biólogo disse que o Petróleo também é bioenergia, mas o grande problema é que o planeta leva milhares de anos para produzi-lo e não é renovável.
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    Plantação de cana-de-açúcar.
    No que diz respeito à energia sustentável, o Brasil é um páis de vanguarda, está indo para 5% de biodiesel em toda a produção nacional (Petrobrás) e é apontado, em uma pesquisa realizada por Bukeridge e repórteres da BBC, como o país que mais se preocupa com as mudanças climáticas globais, juntamente com a Inglaterra.
    “A grande diferença entre nós e o resto do mundo, hoje se chama cana”, disse o professor da USP. Grande responsável pelo cenário bioenergético em que o Brasil se encontra, a planta veio da Ásia e já era utilizada por volta de 8000 a.C. Ao chegar às terras brasileiras, a motivação principal era o açúcar, mas em 1933 começou a ser usada na fabricação de álcool. Atualmente, a produção de cana se constitui em metade açúcar e metade etanol. “Hoje o Brasil possui a melhor tecnologia do mundo em fazer álcool a partir da sacarose. Ainda assim, somente um terço da energia que existe na cana é utilizada para isso”, disse Bukeridge. Mas, segundo ele, maneiras de se utilizar a energia encontrada nos outros dois terços da cana já estão sendo estudadas.
    O Brasil também possui uma vantagem muito importante em relação aos outros países produtores de cana de açúcar. Somente 3% das terras brasileiras são usadas para sua produção. “Se soubermos lidar com a terra, com a água, plantar floresta, nós podemos aumentar ainda mais nossa produção bioenergética”, falou Bukeridge. Índia, Austrália e EUA (no Hawaí e, em menor proporção, na Flórida) já esgotaram suas possibilidades no cultivo de cana.
    Mas o biólogo alerta: “A sustentabilidade é muito importante. Não adianta nada produzirmos Bioetanol e esfolarmos nossas florestas”. Para evitar a introdução de cana de açúcar em terras amazônicas, por exemplo, está sendo estudada a extração de energia de uma leguminosa chamada “Mata-pasto”, planta nativa do Pará que cresce nas barrancas dos rios, mais rápido que a cana de açúcar. “O que a gente tem que fazer com as nossas florestas é um manejo diferente”, concluiu o professor.
    Carla Festucci é estudante de jornalismo e participou do projeto “Descobrir a Amazônia, Descobrir-se Repórter“, da Oboré.

    terça-feira, 26 de março de 2013

    Embalagens sustentáveis vão além da capacidade de reciclar


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    Uma ideia do Unplug Design, no qual a embalagem vira uma bola
    Foto: Divulgação
    Apesar de pouco importantes para muita gente, as embalagens são grandes vilãs da natureza. A produção, utilização e descarte delas implicam em impactos ambientais, visto que a embalagem, ao final de seu processo de consumo, inevitavelmente acaba como lixo urbano.  A questão é: existem maneiras possíveis de torná-la sustentavelmente bem sucedida, seja pelo uso de materiais, seja pelo processo de fabricação ou pelo seu consumo consciente?
    Segundo a designer Babi Tubelo, os materiais, a logística e a reciclabilidade estão entre as principais ferramentas a caminho de um design de embalagem visando a ecologia ambiental, imprescindível no mundo moderno. Quanto mais diversidade de material em uma mesma embalagem, mais será seu impacto para o meio ambiente. Já o uso de apenas um material facilita sua reciclagem.
    A embalagem sustentável deve atender pelo menos a três dimensões:
    • Garantir a proteção ao produto;
    • Escolher aquela que implica menos impactos ambientais, medidos segundo a Análise do Ciclo de Vida (ACV) do produto;
    • Saber como os materiais de embalagens são destinados no fim de vida útil, seja por compostagem, aterro sanitário, reciclagem química, reciclagem mecânica ou reciclagem energética.
    Segundo especialistas, o ato de projetar produtos em prol da sustentabilidade é tecnicamente possível. Para que isso ocorra são necessárias mudanças de comportamento e alterações nos padrões da sociedade, a fim de que alternativas inovadoras de design sejam, de fato, bem aceitas.
    Economia em material e logística
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    Embalagens de ovos utiliza menos material e pode ser melhor empilhada
    Foto: Divulgação
    Economizar no material e facilitar a logística são aspectos essenciais para uma embalagem ser considerada sustentável. E muitas vezes não se dá muita importância a esses dois pontos. Mas, não é assim que pensa a designer húngara e estudante de graduação Otília Andrea Erdelyi. Ela redesenhou a embalagem de ovos, tornando-a ainda mais minimalista, materialmente eficiente e visualmente atraente.
    Além de economizar matéria-prima, a caixa de ovos, chamada de Erdelyi, foi projetada para ser empilhada facilmente. Os ovos são colocados em forma de elipse e para o consumidor retirar os ovos da embalagem basta inclinar uma das laterais.
    Embalagens recicláveis
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    Para transformar a embalagem em cúpula de abajur, basta desdobrar a caixa, vira-la ao contrário e instalar a lâmpada
    Foto: Divulgação
    Outro ponto mais conhecido e também essencial, para se alcançar uma embalagem sustentável, está no seu poder de reciclabilidade, ou seja, a capacidade que ela tem de ser aproveitada depois de utilizada.
    Atualmente, com a grande preocupação ambiental, muitas indústrias estão inovando os seus produtos, fabricando embalagens que podem ser recicladas após serem utilizadas.
    Um exemplo está na lâmpada de última geração Lemnis Lighting, já mostrada aqui no EcoD, que desenvolveu uma embalagem capaz de se transformar em uma luminária para acomodá-la.

    Fonte: Portal EcoD.

    sexta-feira, 15 de março de 2013

    Economia verde: afinal, de que se trata?












    por: Paulo Haddad

    Em função da Rio+20, um dos conceitos mais comentados pelos meios de comunicação é o de economia verde. A experiência mostra que, quando todo mundo fala de um assunto novo, as pessoas provavelmente podem estar falando de coisas diferentes. Podem-se distinguir pelo menos três das principais interpretações que têm sido dadas à economia verde. É possível identificar a primeira interpretação de uma versão mais limitada do que seja a economia verde. Trata-se da tentativa de estender o sistema de preços aos serviços e aos ativos ambientais, mesmo considerando-se que a sua valorização não signifique que esteja transformando-os em mercadorias.
    O sistema de preços é considerado um mecanismo tão eficiente, democrático e econômico de resolver os problemas econômicos fundamentais de uma sociedade (o que produzir, como produzir, onde produzir, como produzir e para quem produzir) que acaba por estimular um esforço intelectual muito expressivo para preservar o seu uso nas políticas ambientais. É o caso, por exemplo, de situações em que ocorrem externalidades ambientais (poluição hídrica, avanço da especulação imobiliária sobre os mangues, desmatamento, etc.), quando se procura definir apropriadamente um valor econômico para os recursos ambientais, simulando as condições de mercado para a sua disponibilidade e a sua utilização, a fim de se identificarem as perdas e os danos para a sociedade.
    Os mercados funcionam adequadamente na alocação de bens privados, os quais são caracterizados pela exclusividade (quem não desejar pagar o preço de mercado é excluído do seu consumo) e pela rivalidade no consumo (o bem pode ser subdividido, de tal forma que quem consome pode excluir os outros dos seus benefícios). Os bens ambientais tendem a ser não excludentes e divisíveis (exemplo: reservas de águas subterrâneas), excludentes e indivisíveis (exemplo: acesso às áreas fechadas de reservas naturais) ou indivisíveis e não excludentes (exemplos: paisagens cênicas; ar puro). Assim, muitos bens ambientais, por se assemelharem mais a bens públicos (não excludentes, indivisíveis, sem rivalidades) do que a bens privados, não conseguem desenvolver ou simular mercados para avaliações monetárias apropriadas e consistentes.
    Uma segunda concepção de economia verde está ligada ao desenvolvimento de modelos de planejamento econômico-ambiental que incorporam os conceitos de insumos ecológicos, processos ecológicos e produtos ecológicos. Trata-se de uma tentativa de melhor compreender a interdependência entre o sistema ecológico e o sistema econômico. Esses modelos permitem que se analisem, por exemplo, os impactos dos investimentos previstos no PAC sobre a pegada ecológica (relativa às áreas de terra produtiva e aos ecossistemas aquáticos), sobre a pegada de carbono (emissão de gases de efeito estufa) e sobre a pegada hídrica (uso direto e indireto de água). Esbarram, contudo, em enormes dificuldades para obter dados sobre o subsistema ecológico, desde o cálculo de simples coeficientes que relacionem a quantidade de poluentes de diversos tipos emitidos por unidades de produção em cada setor produtivo até informações sobre as características específicas de diferentes processos ecológicos.
    Essas duas concepções de economia verde se situam, contudo, dentro de uma visão tradicional da Ciência Econômica. Na visão tradicional, a economia é vista como um sistema isolado, sem trocas de matéria e energia com o meio ambiente. Nesta visão, muitas vezes, não se vislumbram insumos ecológicos ou produtos ecológicos enquanto se produz (exemplos: captação de água ou emissão de dejetos industriais em uma bacia hidrográfica), enquanto se consome (exemplo: emissão de monóxido de carbono de veículos automotivos) ou enquanto se acumula capital (investimentos) na sociedade.
    O ecossistema é considerado apenas como um setor extrativo e de disposição de resíduos da economia. Mesmo que esses serviços se tornem escassos (capacidade de suporte de uma bacia hidrográfica ou limitações de oferta de um recurso natural não renovável relevante), o crescimento econômico pode se manter para sempre porque a tecnologia permite a substituição de capital natural por capital man-made. O único limite ao crescimento, na visão tradicional, é a tecnologia e, desde que se desenvolvam novas tecnologias (produção de etanol ligno-celulósico para o aproveitamento do bagaço da cana ou de resíduos de madeiras, a descoberta de novos materiais, a miniaturização de bens duráveis de consumo, etc.), não há limites para o crescimento econômico.
    Por outro lado, a visão contemporânea de desenvolvimento sustentável inclui a economia como um subsistema aberto do ecossistema. Desde que o ecossistema permaneça constante em escala enquanto a economia cresce, é inevitável que, a economia se torne maior em relação ao ecossistema ao longo do tempo, ou seja, a economia torna-se maior em relação ao ecossistema que a contém. O capital natural remanescente passa a ser o fator limitativo do crescimento econômico num ecossistema congestionado (com estresse ou em regime de coma ecológico) onde prevalecem as leis da termodinâmica, a de conservação de matéria e energia e a lei da entropia.
    * PROFESSOR DO IBMEC/MG, FOI MINISTRO DO PLANEJAMENTO E DA FAZENDA NO GOVERNO ITAMAR FRANCO